Psicanálise 05/09/2016

Os Atos falhos e o Inconsciente

Atos falhos

ATOS FALHOS – O QUE AS PESSOAS REVELAM SOBRE SI MESMAS

O ato falho foi apresentado por Freud ao tratar do Inconsciente. Em suma, os atos falhos são os tropeços, aquilo que salta de mim e que traz uma surpresa. Um inesperado (seja em relação à fala, à memória ou às ações) que vem carregado de significado que desconheço ou ignoro. Por exemplo: quando uma palavra escapa da minha boca, quero falar uma coisa e digo outra no lugar; Ou quando troco o nome de determinada pessoa; e até quando esqueço uma data sempre lembrada.

Freud nos disse que o ato falho tem uma íntima relação com o inconsciente, ou seja, é uma forma de manifestação do inconsciente em nós. Isto que me pega de surpresa e me leva para o meu próprio avesso, que me trai, quando falo ou faço o contrário do que planejo. Ao ponto de começar a me perguntar: “Que relação isso tem comigo?”.

Mostra certa estranheza em mim. O inconsciente é um estranho que habita meus espaços mais familiares. É o estranho em mim que não se esgota.

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O INCONSCIENTE E OS ATOS FALHOS

Por: Diêgo Santos Gonçalves 

A suposição de atividade mental inconsciente é o que possibilitou a Freud elaborar toda a teoria psicanalítica. Vários fenômenos o levaram a sustentar a existência do inconsciente. Um deles em particular é bem divertido, pois facilmente observado em nossa vida cotidiana: os atos falhos. A partir do momento que passamos a compreender o real sentido dos atos falhos, podemos ver o modo como o inconsciente de um indivíduo o trai e revela suas reais intenções.

O QUE SÃO OS ATO FALHOS?

Os atos falhos consistem em pequenos lapsos – esquecimentos de nomes, datas, coisas a fazer, ou erros ao fazer alguma coisa. Em suma, todo processo em que ocorre alguma interferência no que foi planejado, na atitude “normal” esperada, por isso o nome ato falho.

Até antes de Freud – na verdade até hoje, para aqueles que desconhecem a psicanálise e querem ocultar o real sentido dos pequenos erros – os atos falhos eram tidos apenas como simples equívocos. Algo feito “sem querer”, que não tinha maior importância, que não possuíam nenhuma causa e eram atribuídos simplesmente a um “descuido”. Freud, por sua vez, pôde mostrar no livro “Sobre a psicopatologia da vida cotidiana” que até os erros mais simples teriam um sentido oculto que teria sido evidenciado de tal forma – no erro.

 

atos falhos

ATO FALHO – ‘SEM QUERER QUERENDO’

Um senhor estava conversando com uma jovem sobre como a cidade [Berlim] estava bonita com os preparativos para a Páscoa, e disse: “Viu a loja Wertheim? Está toda decotada, oh, quis dizer decorada!“. Esse é um exemplo bastante simples, mas é interessante pois, comumente, as pessoas têm a tendência a atribuir um erro como esse simplesmente ao acaso, e não procuram investigar o que o ocasionou. O locutor diria “oh, quis dizer decorada!” e a coisa ficaria por aí mesmo. A outra pessoa da conversa geralmente tende a não dar atenção ao ato falho.

Já Freud interpreta esse pequeno erro como uma interferência de um pensamento inconsciente do senhor a respeito do decote da roupa da jovem senhora. Em todos os casos analisados, Freud consegue mostrar que os atos falhos, dos mais simples aos mais complexos, são fruto de um processo inconsciente suprimido e que sua causa pode ser descoberta.

Outro exemplo do livro. Um professor de medicina, conhecido por sua arrogância, dá uma aula sobre cavidades nasais. Depois de perguntar se todos os alunos entenderam recebe um ‘sim’ geral. Diz então que esse assunto é muito difícil e que duvidava da compreensão deles. Afirma que ‘mesmo em Viena, com seus milhões de habitantes, os que entendem das cavidades nasais podem ser contados num dedo, quero dizer, nos dedos das mãos‘. O inconsciente do prof. o traiu aqui – no fundo de si, de todos os médicos da cidade ele acredita ser o único a saber sobre o assunto.

 

A IRRUPÇÃO DO INCONSCIENTE

Já vemos nesses pequenos exemplos o que provoca a irrupção do ato falho. Por razões sociais, sabemos que não podemos dizer tudo o que temos vontade. Apesar de nosso controle para segurar e suprimir o que realmente queremos dizer, o pensamento ainda resiste com notável força no inconsciente para se fazer ouvir no ato falho. De fato, alguns atos falhos dizem respeito somente a conteúdos que são significativos para quem os comete. Estes não são assim tão facilmente explicados nem prontamente reconhecidos por quem os comete, e geralmente são dotados de alto valor afetivo.

Portanto, pode-se ter em mente que quase todo erro cometido tem um significado oculto. Digo quase todo porque às vezes erros são fruto do alto investimento psíquico em outros fatores. Por exemplo, alguém extremamente preocupado com uma reunião de negócios pode vir a esquecer de pegar a filha no colégio. Esse erro não seria inconscientemente motivado, mas fruto da preocupação com algo. De qualquer forma, existem em bem menor quantidade.

Texto original: O alicerce da Psicanálise [/box]

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