Psicologia Infantil

O Pai Criativo é um pai presente

 Tempo de leitura 2 min

Sobre a Presença paterna

Você sabia que somente por volta de sete mil anos atrás, em algumas civilizações mais avançadas, que se descobriu a relação entre o ato sexual e a procriação? Pode não parecer pouco tempo, mas se levarmos em conta que o homem anatomicamente moderno já existe há cerca de 200 mil anos e que atingiu o comportamento moderno há cerca de 50 mil? Isso significa que por milhares de anos os pais não tiveram consciência sequer de que tinham alguma participação no ato de procriar.

Pensando a contemporaneidade, com todos os seus avanços culturais em comparação a sete mil anos atrás, ainda há incontáveis casos de pais que, distanciados das transformações e desenvolvimento de seus filhos, tornam-se meros e costumeiros provedores. É justo recordar que não há manual de instruções para ser pai, e nem mãe. Mas se há algo que se possa fazer para qualificar a relação com os filhos, por que não? Foi exatamente o que se perguntou o Pai Criativo, nosso personagem fictício.

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Um pai presente

Ele trabalhava em dois lugares diferentes, um que garantia o seu salário fixo e outro que lhe permitia uma complementação de renda. Suas maiores dificuldades estavam em equacionar as expectativas de maior presença em casa, conforme desejava sua família, e lhes garantir “mais conforto”, tal como ele acreditava que o restante do mundo esperava dele. Por aproximadamente 10 anos, optou por não sucumbir àquilo que fantasiava ser sua obrigação. E assim permaneceu até notar que a palavra “mais” tende ao infinito e à medida que tentava se aproximar desse ideal, afastava-se do que deveria ser a razão de todo o seu empenho, melhorar a qualidade de vida de sua família.

o-PARENTS-PLAYING-WITH-KIDS-facebookFoi quando o Pai Criativo decidiu trocar suas horas no trabalho extra por algumas horas a mais quebrando a cabeça para ajudar seu filho a fazer o dever de matemática, outras jantando com a família e mais algumas em idas à pracinha do bairro para as crianças andarem de bicicleta. É fato que também se ocupou dessas horas para separar as brigas entre os filhos, participar da divisão das tarefas domésticas da família, ir às reuniões de condomínio e mandar o filho desligar o videogame para ir dormir, mas o seu tempo ganhou uma nova dimensão, assim como o de todos os demais. Isso é, de fato, a presença paterna necessária!

 

Tempo não vale dinheiro, e sim qualidade de vida

É importante lembrar que, segundo Freud, para a maioria dos seres humanos, dos tempos atuais ou primitivos, a necessidade de se apoiar em uma autoridade de qualquer espécie é tamanha, que quando essa autoridade é ameaçada, o seu mundo desmorona. O Pai Criativo teve a sensibilidade necessária para perceber que nada ameaçava mais a sua autoridade do que a sua ausência e fez o que precisava, dentro do seu raio de alcance, para sanar esse problema.

A escolha do Pai Criativo, por abdicar da complementação de renda para vivenciar os momentos familiares e o desenvolvimento de seus filhos, comprova que tempo não vale dinheiro, e sim qualidade de vida. Ao abrir mão de comprar mais coisas para seus filhos ele não renunciou de lhes dar uma vida melhor, pelo contrário, melhorou a sua própria forma de viver e, consequentemente, a da família toda.

Embora o Pai Criativo, nesse caso, pertença a uma família tradicional, nuclear, é imprescindível dizer que a presença da figura paterna independe da configuração familiar. Ela também pode se fazer valer em famílias nas quais o pai mora longe, ou em que houve separação dos cônjuges, em casos de crianças cujo pai (ou os pais) já faleceu (ou faleceram) e mesmo em uma família constituída por duas mães (ou dois pais). Para tanto, basta amar, reconhecer a importância de sua presença e encarar o desafio de criar estratégias para se manter presente e atuante no desenvolvimento de suas crianças.

E por fim…

Disso tudo, nos importa mesmo é que o Pai Criativo reviu o seu conceito de presença paterna, para poder acompanhar todas as transformações que acontecem no dia-a-dia de sua família e participar delas. Assim, em tempo de ver os seus filhos crescerem, ele se reinventou junto de sua família, pois, parafraseando Clarice Lispector, “somente não muda o que não é vivo”.

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8 Comentários

  • Responder luiz alberto 29/03/2015 às 09:39

    Texto excelente e muito elucidativo que se encaixa perfeitamente na situação que vivo … obrigado por esse ”alerta” … fica com Deus.

    • Responder Pablo Ferreira Bastos Ribeiro 29/03/2015 às 13:26

      Caro Luiz Alberto,

      Obrigado por participar!! Espero que continue dialogando com a gente! Caso queira, também, nos enviar sugestões de temas, serão sempre bem vindas.

      Abraço

  • Responder Virginia 27/03/2015 às 23:43

    Adorei o texto!
    Um convite ao retorno para o que de fato é essencial. Presença, afeto, tempo investido…
    Isso não tem preço! E resulta em pessoas bastante saudáveis!
    Parabéns!

    • Responder Pablo Ferreira Bastos Ribeiro 29/03/2015 às 13:24

      Olá Virgínia!!! Muito obrigado!! E obrigado por contribuir com o seu comentário!!

      Beijos 🙂

  • Responder Kalyne 26/03/2015 às 23:24

    Mais um lindo e emocionante texto meu grande amigo!
    Saber viver em equilíbrio é o grande desafio não só do pai mas da mãe nos dias de hoje, onde o excesso de informações e exigências nos empelem a atropelar as relações e a presença na rotina diária da família. Temos que estar vigilantes diante do nossas ações diárias, refletindo se estamos dando a devida atenção a todos os inúmeros papéis que ocupamos. Precisamos refletir ainda se estamos reservando um tempo para o nosso ócio criativo e para cultivarmos o que achamos mais importante! O pai criativo realmente realmente aceita fazer renúncias que o impulsionam para ser um pai em construção e por isso um pai sempre melhor! Um abraço carinhoso e saudoso! Estou sempre te acompanhando!

    • Responder Pablo Ferreira Bastos Ribeiro 27/03/2015 às 10:31

      Querida Kalyne, fico muito feliz com sua presença, sempre tão atenta e generosa! Obrigado por suas ponderações, e conto que continue mesmo acompanhando!

      Beijos! 🙂

  • Responder Pablo Ferreira Bastos Ribeiro 26/03/2015 às 14:12

    Caro Geraldo,

    Muito obrigado pela importante reflexão, à qual nos convida, e por toda a positividade que você transmite. Espero que volte sempre! Grande abraço!

  • Responder Geraldo Sodré Júnior 26/03/2015 às 11:00

    Parabéns Pablo, ótimos textos que nos levam a refletir. Vejo o consumismo como uma fuga de relacionamento, antes do relacionamento com o outro, fugimos do nosso próprio convívio. Mais do que Sartre dizia, o inferno somos nó mesmos quando nos encontramos à sós com nossos pensamentos, sentimentos, emoções e não sabemos o que fazer com eles. Se é difícil a própria convivência, mais difícil será o relacionamento com o outro. Desta forma buscamos fugir deste contato íntimo com nós mesmos para travar um relacionamento superficial com os outros e com as coisas (familiares, animais de estimação, festas, itens tecnológicos, horas extras no trabalho, livros, etc.). Quando será que vamos fugir de nós mesmos e nos encarar de frente ao grande espelho do autoconhecimento?
    Muito sucesso e felicidade para você nesta jornada.
    Abraços saudosos.
    Geraldo Sodré Júnior

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