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Cedendo a Palavra Saúde mental 14/06/2015

Como lidar com uma pessoa com Transtorno Bipolar?

Recebemos pelo instragram @dialogopsi um pedido para discutirmos sobre como lidar com uma pessoa com Transtorno Bipolar. Uma tarefa bastante difícil, considerando as muitas particularidades que um quadro deste transtorno pode se manifestar… tantas quanto há pessoas com este quadro.

Cedendo a Palavra!

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Como lidar com uma pessoa com Transtorno Bipolar?
Por Christiana Dornas

O Transtorno Bipolar, que hoje conta com uma classificação específica no DSM-V, já foi chamado de psicose maníaco-depressiva, de psicose afetiva e hoje é separado em tipos I e II, com diferenças que não nos interessarão neste diálogo, especialmente porque o diagnóstico só poderá ser feito por um profissional capacitado. Podemos, se houver interesse manifesto dos nossos leitores nos próximos posts explicar um pouco mais o transtorno bipolar, seus tipos, e cursos de tratamento, mas neste momento, o foco é como ajudar um paciente que sofra com este transtorno.

O primeiro e mais importante ponto sobre modos de apoiar uma pessoa que sofre deste transtorno, é sempre acompanhar e incentivar o tratamento psiquiátrico, psicológico, ou de qualquer outra espécie indicado ao quadro. Inclusive o tratamento medicamentoso, especialmente nos momentos em que a pessoa está bem e todos ao redor estão respirando aliviados. A continuidade do tratamento é fundamental.

Quando as variações do humor são leves, as pessoas ao redor do paciente normalmente aprendem facilmente a conviver com os sintomas, mas para quadros mais ou menos graves há sempre efeitos que recaem sobre os familiares e outros ao redor.

Para conseguir apoiar um paciente com transtorno mental é de vital importância que a pessoa se informe sobre o quadro.  A internet está aí para todos! Os mecanismos de buscas podem parecer grandes aliados neste momento, mas há fontes pouco confiáveis e é preciso cuidado. Para além da world wide web, procurem informar-se com os profissionais que acompanham o paciente, tirem todas as dúvidas, peçam indicações de bibliografias. O conhecimento é um grande aliado, especialmente para combater o sentimento de culpa que muitas vezes assola as famílias. É importante saber que ninguém causa o transtorno bipolar, é uma condição médica.

Outro ponto importante é conversar abertamente sobre a condição da pessoa. O assunto não pode virar tabu, não importa quão sério seja o quadro, ou quão difícil tenha sido o último episódio. A comunicação precisa ser clara e os sintomas precisam ser discutidos para que todos saibam como ajudar e como identificar o início de uma nova “crise”. Com a comunicação aberta, é possível conhecer os sinais que indicam o início de um novo episódio de depressão ou de mania. Através de uma boa comunicação, também será possível criar um plano de emergência, que inclua os contatos dos profissionais, familiares e amigos que devem ser acionados para prover ajuda.

Ainda temos que considerar um cenário mais complicado. Com toda a informação, suporte e cuidado, pode advir uma crise, ou episódio agudo. E nesse momento são os psiquiatras que deverão ser acionados em primeiro lugar. Um episódio agudo de mania ou hipomania – a fase agitada do transtorno – ou de depressão, vai ser tratado pelo profissional das mais variadas formas, levando em conta diversos fatores clínicos, com o objetivo de controlar os sintomas de forma rápida e segura, restabelecendo o funcionamento psicossocial da pessoa.

Passado o tratamento da fase aguda temos o tratamento de continuação, no qual se busca reduzir os efeitos colaterais das mediações, estabilizar os benefícios do tratamento e reduzir a possibilidade de recaída. Nessa fase, a observação da família aos sinais e sintomas, e o apoio e incentivo dos amigos e familiares é vital, pois a estabilização do quadro e os ajustes necessários para a redução dos efeitos colaterais pode levar algum tempo, para isso é preciso paciência e persistência do paciente e das pessoas a seu redor. Além de muita confiança na equipe multiprofissional envolvida no tratamento.

Após essa fase, a manutenção visa maximizar a recuperação funcional do paciente e buscar garantir que ele continue em remissão. É a fase em que o paciente está bem e muitas vezes deseja abandonar o tratamento. É hora de todos ao redor ficarem atentos e continuarem incentivando. Para que isso aconteça, o paciente, assim como a família e amigos, podem buscar uma equipe na qual confiem para indicar o tipo de tratamento ideal, a duração e a frequência.

Por fim, mas não menos importante, procure ajuda para você mesmo. Procure terapia, análise, grupos de apoio. É preciso estar bem para poder ajudar um familiar ou amigo querido a manejar um transtorno tão difícil.[/box] [teaser] Leia mais: Qual a hora certa para procurar terapia? 

Transtorno Bipolar: inclusão e cidadania [/teaser]

 

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