Cedendo a Palavra 21/01/2019

Sobre o profissional brasileiro e a ética

Ética profissional: Quando a opção não é o silêncio

A maioria dos brasileiros ficaria de boca fechada se visse algo antiético ser praticado no ambiente de trabalho. Pelo menos é o que aponta uma recente pesquisa do CPDEC (Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Educação Continuada) em parceria com o NEIT (Núcleo de Economia Industrial e Tecnologia da Unicamp), que ouviu mais de 800 funcionários de empresas públicas, privadas ou de capital misto. Segundo o estudo, nada menos que 90% dos profissionais se calariam se observassem uma conduta inapropriada. O dado é significativo – sobretudo num momento em que as discussões sobre ética ganham fôlego na sociedade brasileira.

As razões para preferir o silêncio diante dos malfeitos vão do medo de retaliação por parte de gestores e colegas à convicção de que nenhuma medida corretiva seria aplicada.

Maioria dos funcionários não reporta atitudes antiéticas

De acordo com a pesquisa ‘Ética nas Organizações’, atitudes antiéticas não são reportadas porque as pessoas temem retaliação por parte de colegas ou gestores (97%) e/ou acreditam que nenhuma ação corretiva será tomada (94%). Além dessas razões, o receio de que a confidencialidade não seja mantida é apontado por 92% dos respondentes, ainda que a empresa tenha ferramentas para que os funcionários comuniquem certas situações de forma anônima.

Confira outros dados da pesquisa:

  • 66% das empresas disponibilizam ferramentas para que funcionários comuniquem situações anonimamente.
  • 76% das empresas têm código de ética (100% das organizações privadas o possuem).
  • Na visão de 85% dos respondentes, os direitos trabalhistas tendem a ser respeitados.  
  • Frequentemente 90% das companhias manipulam dados, relatórios ou informações financeiras para mascarar resultados próprios.
  • Para 55% das pessoas, as empresas adotam comportamentos inadequados, tendenciosos ou de interesses pessoais, nos processos de seleção, promoção ou desligamento de funcionários;
  • 41% dos respondentes disseram que a empresa já propôs, ao menos uma vez, reuniões em locais impróprios.
  • 85% dos entrevistados disseram que as organizações praticam algum tipo de discriminação (racial, social, sexual, quanto à idade ou doenças etc.).
  • Para 51% dos entrevistados, as companhias mentem para clientes, fornecedores e para o público em geral.
  • 62% dos profissionais relatam ver o uso de recursos materiais da organização para fins pessoais
  • 59% responderam já ter observado, ao menos uma vez, roubos ou furtos no ambiente de trabalho.
  • 20% das pessoas percebem práticas de bullying, assédio moral ou sexual.

Por fim, o estudo abordou questões voltadas à percepção que a sociedade tem de diferentes setores. As organizações de capital misto ou autarquias são as que têm a pior imagem: 81% dos entrevistados acham que houve aumento de condutas antiéticas nos últimos cinco anos neste setor; 69% acreditam que isso também aconteceu nas organizações públicas; e outros 32% nas empresas privadas.

“A análise dos resultados mostra que, mesmo tendo havido avanços nos últimos anos – tal como a implantação de códigos de ética -, há ainda um longo caminho a trilhar neste campo”, completa Rodnei Domingues, diretor do CPDEC e um dos coordenadores da pesquisa.

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Referências

  • Texto adaptado de Claudia Gasparini (Exame) e CPDEC (Link pesquisa)

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