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Meu filho não quer ver o pai, e agora?

Filho não quer ver o pai

 Tempo de leitura 2 min

MEU FILHO NÃO QUER VER O PAI, E AGORA?

Um dos problemas mais comuns para quem trabalha com atendimento familiar é a recusa da criança em encontrar o pai. “Mas, o que eu posso fazer se meu filho não quer ver o pai?” – é a frase mais comum entre as mães. Dirijo-me às mães, pois, na maioria dos casos, a guarda da criança permanece com a genitora. Mas, o raciocínio aplica-se também aos pais, avós ou outros familiares que, porventura, possam ter a guarda da criança. Respondo com outra pergunta:

  • Você, na idade que tem seu filho, já tinha maturidade para decidir se deveria ou não conviver com seu pai?
  • Você já tinha discernimento suficiente para saber, a longo prazo, o que era bom ou ruim para você?

Estou pensando em casos em que não há histórico de negligência nem maus-tratos. Casos em que o genitor não guardião cria os filhos da melhor forma que pode. Mesmo apesar das diferenças e desavenças entre o ex-casal. É a história de duas pessoas que compartilharam um pedaço de suas vidas, geraram uma criança e, por motivos diversos, decidiram se separar. Duas pessoas com valores diferentes e formas diferentes de criar a mesma criança.

 

Imagem: www.guiadobebe.com.br

UM CONFLITO DE LEALDADE

As mães acreditam que devem deixar a criança à vontade para decidir se quer ou não encontrar nos dias de convivência com o pai. O que é um grande engano, por diversos motivos.

Um deles é o famoso “conflito de lealdade”. Será que a criança diz que não quer ir por receio de deixá-la triste, mãe? Quem sabe não é porque ela pensa que, se gostar de ir e se divertir com o pai, ela vai te desagradar de alguma forma? Ou, talvez, ela já tenha percebido que você não simpatiza com o pai e esteja “tomando as suas dores”?

Outra possibilidade é: o pai chamou a atenção da criança por algo errado que ela fez ou exigiu um pouco mais na escola e, agora, ela está evitando o contato com o pai para não ter que enfrentar cobranças. Ou, quem sabe, você ou outro familiar materno fez uma proposta bem legal a ela e que acabou por competir com o final de semana do pai…

São milhões de possibilidades: desde o conflito de lealdade a algumas artimanhas infantis para fugir de algum desafio ou cobrança que elas receiam. E até, quem sabe, uma insegurança da mãe em deixar a criança sozinha com pai. Pensando somente nesses motivos: se for conflito de lealdade, você, ao permitir que ela escolha se vai ou não, só reforçará o conflito. Se for fuga de alguma responsabilidade, você estará privando seu filho de como aprender a lidar com as dificuldades da vida. E, por fim, se for uma insegurança da mãe, seu filho estará perdendo a oportunidade de vivenciar bons momentos por uma dificuldade que sequer é dele.

“Então eu devo obrigá-la a conviver com o pai”?

Não é questão de obrigá-la, mas de encorajá-la. “O quê? Não vou ajudar aquele xxx!” – é o que muitas mães me dizem. Não é questão de ajudar o ex-marido, é questão de ajudar o próprio filho e também a si mesma. Sem uma convivência com o pai, essa criança pode crescer com uma sensação de abandono dentro de si e não ter oportunidade de formar uma opinião autônoma sobre o próprio pai.

Mas ele não sabe como cuidar, ele deixa a criança sem limites!
Não concordo com a forma que ele cria a criança!”.

Sempre existirão desacordos quanto à forma de criar o filho. No caso dos pais separados, caso eles não tenham a liberdade de poder conversar sobre a educação do filho, precisam ter em mente que a criança conviverá com dois mundos diferentes. O mundo da família paterna e o da materna. Quando ele estiver com o pai valerá as regras dele e, quando estiver com a mãe, as regras da mãe. Cabe aos pais aprenderem a administrar essas diferenças e o reflexo delas.

Portanto, mães, incentivem SIM seus filhos a ir com o pai quando ele chegar para buscá-los! Deixe que eles tenham a oportunidade de conhecer novos horizontes e pontos de vista diferentes dos seus. Você estará trabalhando a favor da saúde mental do seu filho e da sua também!

[Créditos da imagem de capa: br.guiainfantil.com]

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14 Comentários

  • Responder Livia 09/11/2018 às 13:08

    É de grande importância proteger o nossos filhos por isso que uso o programa clonegaem de whatsApp ele é muito bom… https://www.syncsoft.com.br/spymaster/rastreador-de-celular.html

  • Responder Elisabete Barbosa 29/09/2018 às 14:55

    Nunca me opus ao direito do meu filho estar, conviver, viajar com o pai. Eu o incentivo a ir.
    Hoje o meu filho não quis ir. O pai o agarrou e o colocou no carro contra sua vontade enquanto chorava e pedia para que o pai parasse com aquele ato de força.

    Como fica a saúde mental do meu filho diante dessa situação?

    Ao pai não caberia outro comportamento além do uso da força?

    Só o meu incentivo é necessário e ao pai nada delegado?

  • Responder Gilmar 18/04/2018 às 00:19

    Tenho uma filha de 12 anos mora c a mãe,vai fazer 4 anos q sou separado dela no começo da separação teve mtas desavenças por ela n aceita a separação, minha filha é rebelde c a mãe dela é c o padrasto chinga n respeita eles, a mãe dela trabalha o dia todo,e ela fica sozinha na parte da manhã e faz oq quer vive na rua c amizades duvidosas, a tarde vai p escola sempre sozinha só na companhia das amigas,eu pegava ela um fim de semana sim outro não ,qdo a mãe dela n aguentava a rebeldia dela vinha me pedir p ajudar ela pq n aguenta c a menina comecei a acompanhar bem de perto minha filha msm morando um pouco longe ia na escola atrás dela participava das coisas dela na escola reuniões etc, pq a mãe dela disse q n tinha tempo pq trabalha e pq tem um filho pequeno,e qdo eu deixava tudo bem c a menina aí a mãe
    dela me mal tratava n respondia minha msg se a menina estava se comportando ou n ai qdo a menina começava a dá trabalho aí ela me procurava,então eu ia e resolvia,mas percebi q a menina era dessa forma por falha da mãe ela precisa da menina p cuidar do irmão,e p passar por boa pq se n a menina n ficaria c o menino qdo ela precisava,ela me chamava p repreende minha filha,ai entao eu repreendia a menina por a menina agi errado,e ela só obedecia a mim,ao msm tempo a mãe por trás passava a mão na cabeça da menina e vinha contra mim,ate q este ano ela se queixou de rede social da menina fui peguei o celular da menina q a mesma tinha levado p escola então a mãe dela se pôs contra mim q eu não deveria pegar o celular, a menina não queria me dá a senha do celular dela p mim vê oq tinha na rede social e a mãe dela defendendo a menina,ou seja a própria mãe se queixou sobre celular q nem ela sendo mãe tinha a senha pq a menina n dava,e msm assim a mãe veio contra mim,falei p mãe dela tirar o celular pq vi mtas coisas errada falei p ela n deixar a menina entrar em rede social,mas msm assim ela deixava e qdo eu questionar a mãe dela mentia dizia q ela n entrava sendo q eu via ela online, então depois disso minha filha ganhou força e bateu o pé e disse q n iria mais comigo q a mãe dela disse q ela n era obrigada a vir comigo q ela n gostava de mim nem da minha casa ,e vi q a mãe dela n fez nada p ela vir comigo, minha filha n gosta de vir p minha casa pq n fica na rua,fico c ela meio período e depois vou trabalhar aí então ela ficava acompanhada da minha mãe nunca estava só é ela n gostava disto pq na casa da mãe dela é mais a vontade sai fica sozinha o tempo todo vai o rua faz oq quer ,acabei fazendo a vontade da minha filha msm contra a minha vontade não fui mais visitar ela disse q n queria mais me vê ,e até pq a lei n obriga a criança a está c quem ela n quer está,estou de pé e mão atada vendo minha filha se perder sem poder fazer nada.

  • Responder Claudia 10/02/2018 às 14:48

    Sim. Gostaria de saber sobre namoro dos pais separados. Quando o filho nao aceita.

  • Responder Ronaldo 06/12/2017 às 11:16

    Esse pensamento de culpar a mãe pela rejeição -a maioria das vezes, fundamentada!!- de crianças aos genitores que são omissos, abusivos e agressores tem causado inúmeras torturas nas vidas das crianças brasileiras, cujos direitos parecem ser relegados a segundo plano, enquanto se privilegia o “DIREITO DO PAI” mesmo quando este não cumpre com deveres ou quando transgride de forma ainda pior a função paterna (ABUSOS)!
    https://jus.com.br/artigos/34731/sindrome-da-alienacao-parental-uma-iniqua-falacia/3
    https://www.agoramt.com.br/2014/01/entendendo-direito-alienacao-parental-preparada-como-evitar/
    http://sosmulherefamilia.blogspot.nl/2017/01/lei-expoe-criancas-abuso.html
    http://anamariaiencarelli.blogspot.nl/

  • Responder Luciene 05/12/2017 às 13:20

    Me separei do ex marido meu filho tinha 9 anos e hj ele está com 15 anos,mas no decorrer dos anos ele não quer ir mais pra casa do pai,e o pai exige que ele vá e disse que eu tenho que obrigar ele aí!
    Fico numa sinuca sem bico pq ele é já é um adolescente, não se manda ainda é claro,mas sabe muito bem o q deve fazer!
    Sempre se queixa q o pai não tem tempo pra ele em questão de sair os 2 sozinhos,creio q seja por isso q ele não queira ir,tento fazer o possível e o impossível para que ele tenha esse laço com o pai!
    Realmente fico num beco sem saída,pois quem sai como errada nesta situação sou eu!!

  • Responder JAQUELINE CAMPOS DA SILVA 26/05/2017 às 11:22

    BOM DIA
    MEU EX COMPANHEIRO DESDE QUANDO NOS SEPARAMOS ELE NUNCA PROCUROU O FILHO, NAO LIGOU, NEM VISITOU, E QUANDO VISITAVA SEMPRE PROMETIA AO MEU FILHO QUE VIRIA E NAO VINHA E A CRIANÇA FICAVA DEPRIMIDA POIS ELE NAO CUMPRIA COM O PROMETIDO.NUNCA AJUDOU DURANTE 13 ANOS, MESMO COM MINHA INSISTENCIA NO COMEÇO QAUNDO COLOQUEI NA JUSTIÇA QUEM PAGAVA ERA O PAI DELE MAIS TAMBEM FICOU 6 MESES PAGANDO AI FOI QUANDO ELE COMECOU A MUDAR DE ENDEREÇO PARA NAO SER ACHADO, ENTAO DESISTI DA PENSAO, CANCELEI!!!!!!!!!!!!
    AGORA MEU IRMAO QUER Q EU DE ENTRADA DE NOVO ALEGANDO Q É DIREITO DO MEU FILHO.SO QUE EU NAO QUERIA Q ELE TIVESSE O DIREITO DE PEGAR OU VISITAR MEU FILHO, POIS VAI COMEÇAR TDO DE NOVO, SEM CONTAR QUE ELE ANDA COM COISAS ERRDAS E NAO QUERIA ESSAS INFLUENCIAS PARA MEU FILHO.
    TEM COMO O JUIZ PROIBIR NESSES CASOS?????
    OU PELO MENOS ELE NAO TER O DIREITO DE PEGAR ELE?
    ELE TEM 14 ANOS

  • Responder Daniela 01/05/2017 às 09:07

    Sempre incentivei minha filha a ver e ficar com o pai desde a separação. Até porque não queria que ela se sentisse rejeitada por ele. Inclusive tivemos vários atritos pois eu praticamente tive que exigir que ele ficasse mais tempo com a filha.
    Os anos se passaram e hoje ela tem 9 anos. Recentemente o pai a chamou para passar o feriado de Páscoa com ele em uma casa de praia.
    Dessa vez minha filha bateu o pé dizendo que não queria ir de jeito nenhum. Eu até já estava com toda minha programação feita já que achava que ela viajaria com ele. Mas não teve acordo, ela dizia que para aquela casa ela não iria de jeito nenhum. Eu até tentei negociar com ele, pois ela me disse que iria desde que fosse para a casa dele e não para essa casa de praia, mas ele insistiu que eu tinha que me impor e forçar a menina a ir com ele de qualquer jeito.
    Uma certa vez, ele a tirou à força aqui de casa, ela esperneando e se debatendo…a psicóloga dela disse que isso não era para acontecer, que ele devia tentar convencer ou negociar com ela. É o que eu também acho.
    Nunca a impedi de ver, visitar, viajar ou sair com ele pra onde quer que fosse.
    Mas agora ela se negou e eu disse a ele, que já que ele não queria tentar convence-la ou negociar com ela, que à força eu não deixaria que ele a tirasse de casa de novo.
    Pronto.. .foi a deixa q ele queria para me acusar de estar proibindo a visita, de estar colocando a menina contra ele etc. Qualquer psicólogo pode analisar ou conversar com ela que vai derrubar essa alegação absurda.
    Minha dúvida é…quando a criança se recusar a ir com o pai, ele pode leva-la à força? O juiz pode determinar isso?
    Veja bem, eu quero mais é que ela tenha o melhor relacionamento possivel com o pai. E ela vai alegre e satisfeita com ele na maioria das vezes. E, inclusive, como moro só com ela e não tenho com quem deixa-la se eu quiser fazer minhas programações sozinha, os dias que ela passa com o pai são os únicos que eu tenho para cuidar de mim, encontrar as amigas, ter alguma vida social…por isso me revolto quando ele alega que eu é que não quero que a menina vá ficar com ele. Eu sei o quanto ela ama o pai e por nada nesse mundo eu a afastaria dele. Mas acho que uma vez ou outra, não custa respeitar a vontade dela. Não custa ele fazer programacoes interessantes para ela nos dias em que ela estiver com ele…
    Se ele mesmo, às vezes pede para trocar de fim de semana porque vai viajar ou por qualquer outra coisa, a gente troca. Então porque também ela não pode ter esse direito de não ir com ele pra determinado lugar? E ainda por cima, eu é que tenho que ameaçar, forçar, me impor? Como disse, dessa vez eu já tinha me programado para sair à noite com amigas e fazer outras programações sem ela é e acabou que tive que cancelar tudo, portanto seria estupidez da minha parte querer impedir que ela fosse com ele.

  • Responder Simone Siqueira de Paula 16/03/2017 às 08:23

    Gostaria de ter esse texto, meu filho não quer visitar o pai.

  • Responder Jacques Douglas P. Lopes 14/03/2017 às 13:07

    Parabéns Fernanda pelo belo e esclarecedor texto.
    Passo por este problema… mas a Mãe não coopera.
    Muito boa a pontuação do discernimento da criança.

  • Responder Lorraine 27/01/2017 às 16:57

    Adorei o texto, estou passando por uma situação que mesmo incentivando o meu filho ir para casa do pai, manter uma convivência com o pai, mas o meu filho não quer ? ele fica arredio e começa a chora, fico triste pois tenho medo do pai pensar que eu estou fazendo a cabeça do meu filho. Tendo conversa para saber se ocorreu algo estranho com meu filho na casa do pai, mas ele não conta.

  • Responder Sara Angélica Teixeira 22/03/2016 às 19:16

    buscar o motivo é sempre a solução, antes de “faze-la” a ir.

  • Responder Claudia Marcia Mendes 22/03/2016 às 14:29

    esclarecedor

  • Responder Paullus Nava 21/03/2016 às 18:48

    Marília Amaral, olha esse texto.

  • Qual sua opinião?