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Gaslighting – Uma forma de violência sutil, à meia luz

gaslighting

Gaslighting    Tempo de leitura ~4 min~

De vez em quando eu penso em todas as vezes que você me ferrou, mas me fazia acreditar que era sempre algo que eu tinha feito.Somebody that I used to know - Gotye

GASLIGHTING – DEFINIÇÃO

Gaslighting (derivado do termo inglês Gaslight, ‘a luz [inconstante] do candeeiro a gás’) refere-se a um dos tipos de abuso psicológico. Um método de manipulação sutil, mas eficiente, no qual o agressor, seja o companheiro, chefe, ou até mesmo um dos pais, apresenta informações falsas ou omite a realidade. A intenção é fazer sua vítima questionar a própria memória, conduta, percepção e sanidade, assim, destruindo sua confiança  e, em casos extremos, sua sanidade mental.

O termo surgiu do suspense norte-americano de 1944, “Gaslight”. O filme mostra o personagem principal, Gregory Anton, realizando uma manipulação psicológica sistemática em sua esposa Paula. Sua intenção é conduzi-la à loucura. Gregory faz com que Paula acredite que é mentalmente instável e cleptomaníaca, para que assim, duvide de suas memórias, de seu comportamento e de si mesma. Gregory é o pior tipo de vilão: é um assassino da alma.

Você é louca! Nunca fiz isso! Isso é coisa da sua cabeça!Nega suas atitudes e coloca a culpa em você. Te faz acreditar que você está sendo incoerente, vendo coisas onde não existem, que está ficando louca!

 

UMA FORMA SUTIL DE ENLOUQUECER QUEM CONFIA EM VOCÊ

GaslightingOs níveis de abuso variam desde pequenas encenações até a manipulação de grandes eventos. O objetivo é desqualificar, diminuir ou colocar em duvida a autenticidade de qualquer sentimento de frustração, raiva, angústia ou medo da vítima e, dessa forma, fazer a vítima duvidar de si mesma, de seus sentimentos, destruir sua identidade e sua autoestima, num jogo de manipulação, poder e controle.

O abuso constante deixa marcas profundas na personalidade da vítima e não é tão incomum quanto imaginamos. E, quando se trata de uma criança, ela está ainda mais vulnerável.

Você só pode estar de TPM pra ficar paranóica e chorona desse jeito!Desqualifica suas percepções e emoções.

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O perpetuador do Gaslighting distorce o que lhe é dito para levar a pessoa à contradição ou para convencer com “argumentos lógicos” de que ela não está dizendo a verdade, sendo injusta ou até se confundindo em suas memórias. E, mesmo quando a vítima reúne forças para confrontar seu agressor, não obtém qualquer admissão ou arrependimento pela manipulação e abuso. A parte mais cruel do Gaslighting é como ele lentamente corrói a mente da pessoa abusada, que passa a se questionar.

Porque eu faço tudo errado?!A vítima começa a duvidar de suas percepções, porque o abusador o diz frequentemente como ela está sempre errada

 

Será que isso realmente aconteceu ou estou exagerando? Será que entendi mal alguma coisa?Mesmo tendo certeza, sente culpa por estar confrontando, acredita que talvez você possa estar errada.

 

QUEM É O AGRESSOR?

Apesar de termos usado o exemplo do filme, que mostra a trama silenciosa das manipulações psicológicas de um marido para com sua esposa, a prática do Gaslighting não exige uma elaboração deliberada. Ou seja, não precisa ser premeditado. Implica apenas a crença de que é aceitável tentar alterar a realidade da outra pessoa e levar alguma vantagem, como por exemplo, se safar de um problema.

O agressor normalmente é uma pessoa que evita confrontos diretos em vários setores da sua vida. Não admite as suas falhas, defeitos e perversões, nem mesmo na intimidade. São pessoas que estão dispostas a proteger, a qualquer custo, sua imagem social e manifestam consternação e sofrimento por serem acusados ou por colocarem em questionamento sua integridade.

manipuladorO manipulador nega sempre que é confrontado. Se você observar o histórico, ele nunca cometeu um erro sequer. Não conseguirá recordar de um pedido claro de desculpas. E, quando não nega o ato, reconhece que tais situações existiram; mas que a vítima não se lembra delas claramente e que está interpretando mal o que ele disse ou fez. Contraditoriamente, perante terceiros, o abusador expressa preocupação e cuidado. Evidenciando casualmente que o outro, “o louco”, tem uma tendência para a mentira ou que é “problemática” ou “quer atenção”.

Por todos os motivos citados, o Gaslighting é muito difícil de ser gerido pela vítima. Ela fica confusa e não consegue compreender que está sendo manipulada, vindo a duvidar de sua própria percepção e eventualmente de seu juízo.

 

Melhor não falar besteira, meu bem, mulher não entende de futebol, enquanto nós homens jogamos desde pequenos.Ele desvaloriza as suas opiniões, afirmando que, para seu próprio bem, você não deveria falar sobre um determinado assunto

 

COMO SABER SE ESTOU VIVENDO UMA RELAÇÃO ABUSIVA?

Além do que citamos ao longo do texto, existem outros sinais que podem significar que você vive uma situação de abuso psicológico. O reconhecimento da situação de abuso psicológico sempre é doloroso. Mas, se você chegar à conclusão de que é uma vítima, primeiramente, esteja grat@ pelo despertar.

Embora a percepção seja difícil, pelo menos agora você sabe! Então, como sempre, recomendamos a procura de um profissional para ajudar a identificar outros sinais e obter os recursos necessários para começar a reconstruir a sua saúde emocional e mental, ou até sair dessa relação.

 

GASLIGHTING – NÃO SÃO ATOS ISOLADOS

Gaslighting 2

Gregory desmonta a sanidade de Paula através de manipulações sutis e pequenas mudanças nos detalhes de suas conversas. Ele se porta sempre de maneira calma e razoável quando Paula fica chateada com as discrepâncias. Logo, ela assume que ele é o lúcido da relação e começa a duvidar de sua percepção da realidade e sua própria sanidade.

O ‘Gaslighting’ de Gregory sobre Paula é lento, constante e muito sutil. Ninguém de seu meio familiar suspeitaria que ele estivesse lentamente dirigindo sua mulher à loucura. Ninguém do âmbito social do casal jamais acusaria o sofisticado Gregory de ser um louco. Como ele conta histórias em público sobre a insana e frágil Paula (enquanto ele a mantém isolada em casa), seu círculo social o favorece.

Durante todo o filme, Gregory continuamente se apresenta como um marido amoroso, carinhoso, atraente e talentoso. Paula, por sua vez, começa o filme parecendo bonita, talentosa e sã. Mas, os jogos mentais de seu marido a desgastam e ela começa a surtar, mesmo em público.

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Referência Bibliográfica:

  • DORPAT T.L. “Gaslighting, the Double Whammy, Interrogation, and Other Methods of Covert Control in Psychotherapy and Analysis”
  • TRACY N. “Gaslighting Definition, Techniques, and Being Gaslighted”
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Sobre o autor:


Júlia Maria Alves| Psicóloga | CRP 04-30.828 

Graduada em Psicologia pela UFMG, especializada em Gestão de Pessoas pela Fundação Dom Cabral (FDC). Atua na área de Psicologia Clínica e Organizacional, realizando Psicoterapia de adultos e idosos e Orientação Profissional para vestibulandos e na aposentadoria. 

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18 Comentários

  • Responder Gangstalking 19/07/2018 às 15:34

    Gostaria de saber sugestões para procedimentos legais ou criminais contra perpetuadores dessa natureza, uma vez que tortura psicológica se caracteriza como crime!

    Só aproveitando o espaço, se você não conhece o termo “Gangstalking” ou “Perseguição Organizada” ou “Assédio Coletivo Organizado”, pois bem fica a dica. A técnica de Gaslighting é muitas vezes utilizada em programas de Gangstalking seja para te eliminar ou controlar através da intimidação, ou seja não é uma técnica utilizada apenas por cônjuges ou familiares.

    Se você se sente prejudicado ou perseguido fora de casa também, não se esqueça de pesquisar por “Gangstalking”.

    Agradeço!

  • Responder online drugstore uk 22/06/2018 às 13:28

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  • Responder Fernanda Caxias 01/11/2017 às 15:46

    Muito obrigada por ter feito esse Blog. Consegui enxergar a situação que vivo com o meu marido.
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    Vou assinar sem um pingo de dúvida e medo.

  • Responder Ana Paula Santos Fonseca 08/05/2016 às 15:11

    Eu perdi minha auto estima de tanto ouvi que sou louca que não aguenta mais

  • Responder Izabela Teles 08/05/2016 às 03:43

    Ana Rita Pessoa

  • Responder Eliene Pereira 05/05/2016 às 16:21

    Iramaia Almeida a pro Isaura, deu aula sobre isso, veja.

  • Responder Ceni Brito Dos Santos 04/05/2016 às 12:19

    Parece mentira, mas comigo acotece tdos os dias, ai gente Lebes que tá ficando, não sabe o que diz, as vezes duvido de mim mesma, estou ficando insegurara em tdo que faço, isso é um pecado que fazem com a gente.

    • Responder Diálogo - Espaço de Psicologia 04/05/2016 às 13:58

      Olá Ceni, sinto muito!! Sei que é difícil, mas é possível viver algo diferente e mudar a situação. O mais difícil é reconhecer, dói né? Recomendo procurar um profissional, buscar os recursos psicológicos necessários para reagir ao que te acontece. Não sei em qual cidade está, mas com certeza tem um psicólogo próximo e acessível. Não deixe de cuidar de você! ♡ Não se esqueça disso!

    • Responder Carine Suder Fernandes 05/05/2016 às 10:28

      E um dos primeiros passos é avaliar se esse relacionamento vale a pena.

    • Responder Diálogo - Espaço de Psicologia 07/05/2016 às 11:48

      Verdade Carine

    • Responder Ceni Brito Dos Santos 07/05/2016 às 12:17

      Diálogo – Espaço de Psicologia tem certas certs coisas q não dá pra falar no face, mas já fui no psicológo da minha cidade, êle pouco falou e me deu remédio e disse que eu era ums guerreiro o remédio me fez mal…obrigada de te preocupar comigo….bjusssd

    • Responder Carine Suder Fernandes 07/05/2016 às 13:27

      Oi, Ceni: Foi mesmo um psicólogo? Por que nós não prescrevemos medicação nem pra dor de cabeça…. Quando percebemos que a medicação pode ser uma via de ajuda, encaminhamos para médico/médica psiquiatra.

      E outra: chamar alguém de guerreiro/guerreira por suportar opressões e violência pode parecer elogio, mas não é mais do que a romantização da submissão. Ninguém é obrigada a nada. Se duvida do que digo, olhe na constituição.

      É muito injusto e cruel exigir que algumas pessoas sejam mais fortes do que o necessário por não terem alternativas.

    • Responder Diálogo - Espaço de Psicologia 28/05/2016 às 23:08

      Carine Suder Fernandes Ótima colocação! Obrigada por esclarecer, só vi agora!

    • Responder Carine Suder Fernandes 29/05/2016 às 00:32
    • Responder Ceni Brito Dos Santos 29/05/2016 às 11:11

      Carine Suder Fernandes foi Psiquiatra q fui e não psicólogo, desculpe minha colocação…bjusss

  • Responder Claudia Marcia Mendes 04/05/2016 às 12:12

    muitas vezes hoje não mais graças a Deus

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