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Neuropsicologia 04/05/2020

Como a gestação influencia no cérebro da mulher?

 Tempo de leitura ~4 min~

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Quando uma mulher engravida é unânime a ideia de que dali pra frente ele se tornará uma pessoa diferente do que sempre foi. Muitas questões bio-psico-sociais transpassam o momento de geração de um filho, em todos esses aspectos as mudanças tendem a adquiri uma intensidade muito grande. O projeto maternidade vai modificar em linhas gerais o papel social e a forma de se relacionar; a estrutura psicológica e forma de lidar com as situações; e o corpo todo se prepara para a grande tarefa de criar um filho.

Como a gestação altera o cérebro da mulher?

Obviamente o Sistema Nervoso não fica de fora de toda essa reviravolta. Para começar, ele ao mesmo tempo em que dá os comandos, ele também sofre as influências das alterações fisiológicas que estão ocorrendo no corpo da gestante.

A mudança mais significativa é a mudança no perfil endócrino, ou seja, a concentração dos hormônios modifica muito. O estrógeno, por exemplo, costuma aumentar sua concentração em 30 vezes e conjuntamente com o hormônio progesterona, e a gonodotrofina e somatomamotropina proporcionam as mudanças necessárias no corpo para que a gravidez flua e o bebê se desenvolva. No entanto, a maioria das glândulas endócrinas costuma sofrer alguma alteração, e se lembrarmos lá da biologia, entendemos que o sistema endócrino é responsável junto com o sistema nervoso de coordenar todas as funções do nosso corpo. Ou seja, está armada a confusão.

A tireóide, responsável por comandar o metabolismo do corpo, também costuma ser afetada. Geralmente ela provoca mudanças que imitam o hipertireoidismo sendo que o metabolismo pode aumentar também em até 30 vezes, causando sinais como taquicardia, palpitações, respiração excessiva e a grande conhecida instabilidade emocional! Isso é interessante porque um corpo ocupado em promover o desenvolvimento de outro corpo tende a ganhar com aumento do fluxo circulatório e alterações vasculares que dá mais energia, porém o esforço tende a ser tão grande que encontramos aquele contraponto entre sentir-se energizada e muito cansada.

De fato, algumas mulheres grávidas podem se mostrar cheia de energias em suas tarefas, mas elas vão precisar de mais descanso. Ou sentem-se constantemente cansadas com a energia direcionada para a gestação.

Embora o aumento do fluxo sanguíneo costume gerar benefícios paras as funções cognitivas comandadas pelo cérebro como atenção, memória, planejamento, esses são os pontos que normalmente as gestantes reclamam no seu desempenho. Sentem-se dispersas, memória falha, e dificuldade na organização das tarefas diárias. Mas na verdade, ao que parece pelos estudos é que as melhorias estão focadas em processos mais internos como percepção de padrões internos e desenvolvimentos emocionais e relacionais. Alguns estudos relatados por Laura Glynn (2004/2010) mostram, por exemplo que os movimentos do feto a partir da 20ª semana aumenta o batimento cardíaco e taxa de condução de estímulos sensoriais na pele, mudanças que ocorrem mesmo antes da mãe conseguir sentir o movimento do bebê. É a sensibilidade aflorando.

Um aprimoramento sensitivo, na empatia e na interação social

A condição da mulher grávida restringe a possibilidade de uso de exames de imagem para entender de fato quais são as mudanças cerebrais que estão ocorrendo durante a gestação. Porém Laura Glynn lançou mão de estudos com ratos, já que muitos padrões tendem a ser similares ao que ocorre com os humanos, e nesse estudo ela encontrou mais um dado que corrobora o ideia do aprimoramento sensitivo da gestante. Foi percebida uma renovação das células neuronais relacionadas ao sentido do olfato, mudança que tendeu a permanece ao longo da vida da rata mãe. Esse sentido é de suma importância para sobrevivência das espécies por auxiliar na identificação de substâncias tóxicas, identificação de alimento e para reconhecimento de parceiros e a própria cria.

Outras constatações são de que a atividade cerebral fica mais intensa na região do sistema límbico, área do cérebro responsável pela empatia e interação social. Uma dessas estrutura que tem atividade significativamente modificada é a amígdala cerebral que tem um grande papel no reconhecimento de emoções e de situações de perigo ou ameaça. É o que justifica a relação de cuidado e proteção. É claro que todas as questões apresentadas vêm acompanhadas de vários processos do âmbito social e psicológico, mas na forma mais básica não tem como negar como a biologia é sábia e garante de formas complexas e sutis que a espécie sobreviva e possa continuar se perpetuando. E a mulher adulta que é vista como um ser “finalizado” se modifica para gerar, amar e oferecer segurança aos seus descendentes.

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Referências Bibliográficas:

1 – GLIYNN, Laura. Giving birth to a new brain: Hormone exposures of pregnancy influence human memory. Psychoneuroendocrinology. V.35, n. 8, p. 1148-1155. Stemper, 2010.

2 – http://www.livescience.com/17655-pregnancy-change-moms-brains.html

3 – http://residenciais.org/2015/05/pesquisas-da-neurociencia-revelam-seus-cerebros-se-transformam/#sthash.upRmarMl.dpuf

Comp[ART]ilhe arte e cultura:
Imagem da capa: Artista Marcos Guinoza disponível em @marcosguinoza

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