Psicanálise Psicoterapia e Comportamento 22/03/2017

Qual o seu jeitinho para lidar com um problema?

jeitinho

Somos essencialmente diferentes, temos vidas diferentes, lidamos com conflitos internos e externos de formas diferentes. Temos intensidades diferentes e utilizamos suportes diferentes mesmo que sob orientação de outra pessoa. Iremos colocar sempre o nosso jeitinho para poder lidar com um problema. Jeitinho este fundamental, serve como uma assinatura, ou personalidade se preferirem.

 

Você busca alguém para falar?

Falamos. A fala é uma ferramenta que utilizamos muito bem. Assim como o cachorro late, o gato mia e o pinto pia, o homem fala. Ela está presente em todos os momentos de nossas vidas como uma extensão do nosso corpo. (Gerbase, 2015)

Todo mundo um dia já se entristeceu. Quando tristes normalmente procuramos o apoio de amigos, da mãe, do pai, marido ou esposa e até mesmo dos filhos. Procuramos alguém que acreditamos poder nos dar alguma resposta sobre o nosso sofrimento. É bem possível também que essas pessoas transmitam alguma palavra de apoio. Seja por ouvir alguma coisa que você não havia pensando ainda; por dizer algo que você apenas não queria admitir ou por você só querer uma aprovação, alguma garantia.

Na maioria das vezes temos tudo isso do outro. Esse outro fala e nós escutamos. Esperamos dessa fala algo que cure a nossa dor. As vezes queremos que alguém nos diga o que estamos sentindo, o que estamos passando, o que nós podemos fazer para melhorar ou apenas o silêncio complacente frente ao nosso desabafo. Nessas horas normalmente não queremos ficar só.

 

Uma possível resposta, uma resposta possível

Algumas perguntas podem ser claras como: “Você acha que devo sair do meu emprego?”, “Você acha que ela não gosta mais de mim?”. Outras vezes, as perguntas são um pouco mais complicadas: “O que é isto que estou sentindo?” ou “Por que sinto isto?”.

As respostas que encontramos com o outro algumas vezes dão certo. Pescamos algumas palavras ditas e tentamos levar para nossas vidas. E quando julgamos ter uma boa resposta, sentimos um alívio por enxergar um caminho a seguir. Porém a nossa vida, assim como nós, sempre estarão sujeitos a mudanças e algumas respostas podem não dar mais conta de resolver determinados problemas. Ou ainda, dar conta de uma maneira muito capenga, precária. O que por muitas vezes nos faz sofrer ainda mais.

Ao conversar com um amigo, ele sempre vai tentar dizer algo daquilo que acredita funcionar. Seja porque funcionou para ele, ou porque já viu funcionar para alguém. Ou ainda porque que acredita que vai funcionar para você. A opinião é sempre dada de um referencial de quem fala: Sempre do seu referencial cultural, de uma verdade, de ideais, de expectativa sobre a vida, etc. Dificilmente também procuraremos alguma resposta sobre determinado tema ou direção que queremos para nossas vidas com pessoas que pensam muito diferente de nós ou que estejam inseridas em um contexto que não entendam o que estamos passando. Buscamos conselhos de outras pessoas acreditando que teremos sempre uma possível resposta.

[responsive]jeitinho para solucionar um problema[/responsive]

Iremos colocar sempre o nosso jeitinho para poder lidar com um problema

Somos seres complexos frente a um mundo cheio de incertezas e, por vezes, esperamos do outro verdades e garantias para lidar com a vida. A maior chance que temos é de nos frustramos ainda mais quando essas diferenças forem percebidas. Somos essencialmente diferentes, temos vidas diferentes, lidamos com conflitos internos e externos de formas diferentes. Temos intensidades diferentes e utilizamos suportes diferentes mesmo que sob orientação de outra pessoa. Iremos colocar sempre o nosso jeitinho para poder lidar com um problema. Jeitinho este fundamental. Serve como uma assinatura, ou personalidade se preferirem.

Um traço que se destaca e que se repete em nós, na nossa forma de lidar com o mundo, de interagir com ele, de observá-lo, de modificá-lo e sermos atraídos por coisas que nos tocam, assim também nos modificando. As experiências, opiniões, ideais e expectativas são organizadores para nossa vida, é a partir dessas relações junto a nossa história que surge um meio de lidar com os problemas.  Este padrão é único, fundamental, com ele nós nos estruturamos, como uma casa, temos uma fundação para suportar e nos mantermos equilibrados frente às adversidades.

O que eu consigo suportar não é a mesma coisa que você suportaria ou que outra pessoa suporta. Ainda mais no mundo contemporâneo onde encontramos pessoas com características e maneiras de se expressar tão singulares. Nossas habilidades são diferentes e as adquirimos ao longo de toda a nossa vida a partir da mais simples a mais complexa experiência, assim criamos um saber próprio sobre o mundo e sobre nós mesmos. Como não somos infalíveis, esse padrão em algum momento pode falhar e com essa falha, nossas certezas e nossas verdades são abaladas. Somos então confrontados com perguntas fundamentais, mas que na maioria das vezes ficam por trás das cortinas:

O que querem de mim? O que eu quero? O que eu sei sobre o mundo? O que eu sei sobre mim? Quanto tempo me resta?

Para haver uma mudança, ou a direção da cura, é necessário que se promova uma desconstrução ao que já é sabido por nós. Nos questionar sobre as experiências, opiniões, ideais e expectativas que nos estruturam (como no exemplo da casa), fazendo uma releitura de como respondemos às adversidades da vida, para consequentemente, podermos nos reposicionar diante dela.

[hr style=”1″ margin=”0px 0px 0px 0px”]  [hr style=”1″ margin=”0px 0px 0px 0px”] [box style=”1 or 2″] Referencias:

  • Gerbase, J. Atos de Fala. Campo Psicanalítico. Salvador, Setembro 2015
  • SOLER, C. Interpretação: as respostas do analista. Opção Lacaniana, São Paulo, Agosto 1995.
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1 Comentário

  • Responder Joana Vilela 29/03/2017 às 00:34

    Ah, que legal. Adorei! Parabéns!

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