Psicoterapia e Comportamento Saúde mental 22/05/2016

Sente ansiedade? E quem não sente?

Sente ansiedade  Tempo de leitura ~2 min~

A ansiedade é um desejo daquilo que tememos, um temor daquilo que desejamos, uma antipatia-simpática. É um poder estranho que agarra o indivíduo. sem que ele possa desvencilhar-se dele, nem queira desvencilhar-se, pois tem medo disso, mas esse medo é também um desejo.Sören Kierkegaard

Considerada muitas vezes como um traço da personalidade,. a ansiedade vem marcando presença na vida agitada que estamos permitindo levar. Vivemos preocupados com o relógio, com o celular, com as tarefas a serem cumpridas,. com as pessoas que nos rodeiam, com os e-mails a serem lidos e respondidos… Enfim, uma rotina estressante em que muitas vezes nos faz se acostumar com o ritmo acelerado e pouco tempo nos sobra para olharmos para nossos limites e limitações.

A ansiedade possui função adaptativa à medida que prepara o indivíduo para situações que podem ser mais difíceis, funcionando como uma motivação para que ele providencie o que é necessário para evitar o perigo, a ameaça ou reduzir suas conseqüências, o que aumentaria suas chances de sucesso.

Portanto, certas atitudes movidas por fatores estressantes são favoráveis ao indivíduo no sentido de melhor prepará-lo, no entanto, quando ocorrem ativações desnecessárias, intensas e contínuas movidas pela ansiedade, medo ou fobia, geralmente voltadas aos estímulos que não representam uma ameaça real é que pode favorecer o surgimento de um quadro de ansiedade patológica ou um medo irracional, prejudicando o desempenho geral do indivíduo.

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As definições de ansiedade são inúmeras, bem como as causas de suas manifestações, variando de acordo com diversos autores. Na tentativa de se compreender as variadas nuances da ansiedade e de seus tratamentos, vamos nos basear no Manual de Diagnóstico e Estatística, em sua quarta edição (DSM-IV), publicado pela Associação Psiquiátrica Americana, para falarmos brevemente  sobre os tipos mais freqüentes de ansiedade:

  • Transtorno do Pânico: é o mais incapacitante e os ataques acontecem de maneira inesperada. Em grande número de casos, os indivíduos acometidos pelo Transtorno foram crianças medrosas, inseguras, com intensa ansiedade. O tratamento se dá através de medicamentos e psicoterapia.
  • Fobia Específica: caracterizada pelo medo intenso e pavor, muitas vezes paralisante. Além do pavor realmente da situação presente, a fobia específica se caracteriza pela antecipação da situação temida, ou seja, a pessoa tem intenso medo de se deparar com tal situação, mesmo que ela não esteja presente. Exemplos de estímulos fóbicos: lugares fechados, animais, altura, trovão, ventos, escuridão, tratamento dentário, avião, ferimentos, dirigir, entre outros. Geralmente com início na infância, exceto as traumáticas. O tratamento é preponderantemente com psicoterapia.
  • Fobia Social: caracteriza-se pelo medo de ser observado ou analisado pelos outros,. ou ainda pelo receio de embaraço durante interação com outras pessoas ou em situações de exposição pública. O indivíduo apresenta medo intenso e persistente de uma ou mais situações nas quais poderá se sentir exposto à avaliação de outras pessoas. Por exemplo: comer, beber, falar em público, ser o centro das atenções, interagir com o sexo oposto, entre outras situações. Um importante aspecto associado a essa ocorrência é a relação estreita existente entre este transtorno e o desenvolvimento de dependência a substâncias psicoativas, como o álcool e outras. Sendo visto como auto medicação pelo paciente. a fim de experimentar sensação de relaxamento e maior sociabilidade. Responde tanto à terapia medicamentosa quanto ao tratamento psicoterapêutico, sendo este último o mais vantajoso no sentido de que muito do que se aprende no processo terapêutico pode ser usado no decorrer da vida do sujeito, servindo também como instrumento preventivo de recaídas.
  • Transtorno Obsessivo-Compulsivo: o TOC, como é conhecido, caracteriza-se pela presença de obsessões, compulsões e ou manias que causam profunda ansiedade e sofrimento. Obsessões podem ser definidas como processos mentais – pensamentos, ideias, impulsos e imagens, que são vivenciadas como intrusivos, repetitivos e incômodos. Já as compulsões são definidas como comportamentos ou pensamentos repetitivos, intensos, que são realizados para diminuir o incômodo ou a ansiedade causada pelas obsessões. A psicoterapia aliada à intervenção medicamentosa parece ser a melhor escolha para um bom resultado. A introdução de terapia parece induzir a melhora dos sintomas, além de diminuir o risco de recaída após o término do tratamento medicamentoso. É importante ressaltar que com os tratamentos mencionados, pode-se esperar uma melhora significativa ao longo do tempo, mas raramente há a remissão completa dos sintomas.
  • Transtorno de Estresse Pós Traumático: sintomas de trauma psicológico pronunciado, com significativo prejuízo de sua vida pessoal,. ocasionado por exposição do indivíduo a um evento traumático grave. Indivíduos que tenham testemunhado um evento traumático ocorrido com terceiros,. ou pessoas que apenas tenham tomado conhecimento de ocorrência de algum evento traumático,. também podem vir a desenvolver tal Transtorno, normalmente quando o evento traumático acontece em sua presença ou com pessoas em que haja vínculo afetivo. Com relação ao tipo de tratamento, as abordagens psicoterapêuticas e farmacológicas são de fundamental importância, principalmente se administradas em conjunto.
  • Transtorno de Ansiedade Generalizada: entre os subtipos de Ansiedade, este é o mais freqüente na população em geral. Medo excessivo, preocupações ou sentimentos de pânico irracionais a respeito de diferentes situações,. fazem parte da vida das pessoas que sofrem desse Transtorno. Também apresentam-se frequentemente preocupadas com o julgamento que os outros fazem em relação ao seu desempenho em diferentes áreas,. não caracterizando com isso um quadro de obsessão, uma vez que não diz respeito a um único fato, nem são repetitivos, mas sim preocupações constantes que mudam de tema e geram profunda ansiedade. Embora seja um Transtorno visto inicialmente como leve, acredita-se que seja crônico. Como na maioria dos Transtornos de Ansiedade,. o tratamento pode ser dividido em abordagem psicoterapêutica e farmacológica, o que corrobora para a adesão ao tratamento medicamentoso e sua eficácia, diminuindo sua duração.
[teaser] Leia mais: Ansiedade: Sintoma ou doença?[/teaser]

 

Para encerrar, é importante lembrar que o diagnóstico só pode ser feito por profissional capacitado para tal, não sendo suficiente identificar-se com algumas características. Tão importante quanto um bom diagnóstico, será reconhecer que precisa de ajuda e encontrar um profissional que tenha um olhar individual ao paciente e não ao rótulo de qualquer Transtorno.

Sobre o autor:


Andreia Rodrigues | Psicóloga | CRP 06-85.683 |  

Psicóloga Clínica – Psicoterapia individual adolescente e adulto  ou casal. Terapia do Luto. Pesquisadora USP, formada em Tanatologia (lutos e perdas). Curso de Extensão na PUC -SP em Psicologia e Informática, abordando diversos temas como Relacionamentos Virtuais, Games, entre outros. Capacitada em Neurobiologia da Ansiedade, Terapia de Casais,. Sexualidade Normal e Patológica, Transtornos de Personalidade, Grafologia, Saúde Mental da Mulher, entre outros. Coautora do livro “Tanatologia – Temas Impertinentes”, Org. Aroldo Escudeiro, LG Edit. e Gráfica – 2011 “, com o tema “Quando o amor adoece“. Acompanhamento terapêutico individual ou em grupo para pessoas com Medo de Dirigir.

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