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Psicoterapia Saúde mental 22/05/2016

Sente ansiedade? E quem não sente?

 Tempo de leitura ~3 min~

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A ansiedade é um desejo daquilo que tememos, um temor daquilo que desejamos, uma antipatia-simpática. É um poder estranho que agarra o indivíduo. sem que ele possa desvencilhar-se dele, nem queira desvencilhar-se, pois tem medo disso, mas esse medo é também um desejo.Sören Kierkegaard

Considerada muitas vezes como um traço da personalidade,. a ansiedade vem marcando presença na vida agitada que estamos permitindo levar. Vivemos preocupados com o relógio, com o celular, com as tarefas a serem cumpridas,. com as pessoas que nos rodeiam, com os e-mails a serem lidos e respondidos… Enfim, uma rotina estressante em que muitas vezes nos faz se acostumar com o ritmo acelerado e pouco tempo nos sobra para olharmos para nossos limites e limitações.

A ansiedade possui função adaptativa à medida que prepara o indivíduo para situações que podem ser mais difíceis, funcionando como uma motivação para que ele providencie o que é necessário para evitar o perigo, a ameaça ou reduzir suas conseqüências, o que aumentaria suas chances de sucesso.

Portanto, certas atitudes movidas por fatores estressantes são favoráveis ao indivíduo no sentido de melhor prepará-lo, no entanto, quando ocorrem ativações desnecessárias, intensas e contínuas movidas pela ansiedade, medo ou fobia, geralmente voltadas aos estímulos que não representam uma ameaça real é que pode favorecer o surgimento de um quadro de ansiedade patológica ou um medo irracional, prejudicando o desempenho geral do indivíduo.

Leia mais: Sobre a ansiedade: O que é?

As definições de ansiedade são inúmeras, bem como as causas de suas manifestações, variando de acordo com diversos autores. Na tentativa de se compreender as variadas nuances da ansiedade e de seus tratamentos, vamos nos basear no Manual de Diagnóstico e Estatística, em sua quarta edição (DSM-IV), publicado pela Associação Psiquiátrica Americana, para falarmos brevemente  sobre os tipos mais freqüentes de ansiedade:

  • Transtorno do Pânico: é o mais incapacitante e os ataques acontecem de maneira inesperada. Em grande número de casos, os indivíduos acometidos pelo Transtorno foram crianças medrosas, inseguras, com intensa ansiedade. O tratamento se dá através de medicamentos e psicoterapia.
  • Fobia Específica: caracterizada pelo medo intenso e pavor, muitas vezes paralisante. Além do pavor realmente da situação presente, a fobia específica se caracteriza pela antecipação da situação temida, ou seja, a pessoa tem intenso medo de se deparar com tal situação, mesmo que ela não esteja presente. Exemplos de estímulos fóbicos: lugares fechados, animais, altura, trovão, ventos, escuridão, tratamento dentário, avião, ferimentos, dirigir, entre outros. Geralmente com início na infância, exceto as traumáticas. O tratamento é preponderantemente com psicoterapia.
  • Fobia Social: caracteriza-se pelo medo de ser observado ou analisado pelos outros,. ou ainda pelo receio de embaraço durante interação com outras pessoas ou em situações de exposição pública. O indivíduo apresenta medo intenso e persistente de uma ou mais situações nas quais poderá se sentir exposto à avaliação de outras pessoas. Por exemplo: comer, beber, falar em público, ser o centro das atenções, interagir com o sexo oposto, entre outras situações. Um importante aspecto associado a essa ocorrência é a relação estreita existente entre este transtorno e o desenvolvimento de dependência a substâncias psicoativas, como o álcool e outras. Sendo visto como auto medicação pelo paciente. a fim de experimentar sensação de relaxamento e maior sociabilidade. Responde tanto à terapia medicamentosa quanto ao tratamento psicoterapêutico, sendo este último o mais vantajoso no sentido de que muito do que se aprende no processo terapêutico pode ser usado no decorrer da vida do sujeito, servindo também como instrumento preventivo de recaídas.
  • Transtorno Obsessivo-Compulsivo: o TOC, como é conhecido, caracteriza-se pela presença de obsessões, compulsões e ou manias que causam profunda ansiedade e sofrimento. Obsessões podem ser definidas como processos mentais – pensamentos, ideias, impulsos e imagens, que são vivenciadas como intrusivos, repetitivos e incômodos. Já as compulsões são definidas como comportamentos ou pensamentos repetitivos, intensos, que são realizados para diminuir o incômodo ou a ansiedade causada pelas obsessões. A psicoterapia aliada à intervenção medicamentosa parece ser a melhor escolha para um bom resultado. A introdução de terapia parece induzir a melhora dos sintomas, além de diminuir o risco de recaída após o término do tratamento medicamentoso. É importante ressaltar que com os tratamentos mencionados, pode-se esperar uma melhora significativa ao longo do tempo, mas raramente há a remissão completa dos sintomas.
  • Transtorno de Estresse Pós Traumático: sintomas de trauma psicológico pronunciado, com significativo prejuízo de sua vida pessoal,. ocasionado por exposição do indivíduo a um evento traumático grave. Indivíduos que tenham testemunhado um evento traumático ocorrido com terceiros,. ou pessoas que apenas tenham tomado conhecimento de ocorrência de algum evento traumático,. também podem vir a desenvolver tal Transtorno, normalmente quando o evento traumático acontece em sua presença ou com pessoas em que haja vínculo afetivo. Com relação ao tipo de tratamento, as abordagens psicoterapêuticas e farmacológicas são de fundamental importância, principalmente se administradas em conjunto.
  • Transtorno de Ansiedade Generalizada: entre os subtipos de Ansiedade, este é o mais freqüente na população em geral. Medo excessivo, preocupações ou sentimentos de pânico irracionais a respeito de diferentes situações,. fazem parte da vida das pessoas que sofrem desse Transtorno. Também apresentam-se frequentemente preocupadas com o julgamento que os outros fazem em relação ao seu desempenho em diferentes áreas,. não caracterizando com isso um quadro de obsessão, uma vez que não diz respeito a um único fato, nem são repetitivos, mas sim preocupações constantes que mudam de tema e geram profunda ansiedade. Embora seja um Transtorno visto inicialmente como leve, acredita-se que seja crônico. Como na maioria dos Transtornos de Ansiedade,. o tratamento pode ser dividido em abordagem psicoterapêutica e farmacológica, o que corrobora para a adesão ao tratamento medicamentoso e sua eficácia, diminuindo sua duração.

Leia mais: Ansiedade infantil

Para encerrar, é importante lembrar que o diagnóstico só pode ser feito por profissional capacitado para tal, não sendo suficiente identificar-se com algumas características. Tão importante quanto um bom diagnóstico, será reconhecer que precisa de ajuda e encontrar um profissional que tenha um olhar individual ao paciente e não ao rótulo de qualquer Transtorno.

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Imagem da capa: Escultura de Tian Yonghua, “Entre os reinos do real e do virtual” disponível em @thehouseoffineart

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