Psicologia e saúde mental 20/04/2020

Sobre a Ansiedade – Parte 2

 Tempo de leitura ~2 min~

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As causas da ansiedade

Vimos na primeira parte desta série que a Ansiedade é causada por um “perigo percebido”, que pode ser real ou não, interno ou externo. Os problemas de ansiedade podem ser hereditários, mas guardam claramente sua relação com o funcionamento do corpo e as experiências de vida. Vamos explicar isso melhor.

Cada pessoa interpreta as situações de acordo com suas crenças, valores, visão de mundo e história de vida, enfim, as coisas não são interpretadas da mesma forma por todos. Qualquer coisa que seja interpretada como prejudicial pode se tornar uma situação “causadora de ansiedade“. Determinada pessoa pode ficar extremamente ansiosa diante de uma prova, por exemplo, enquanto outra pode lidar com a mesma prova de forma tranquila. E por quê?

Porque as interpretações que foram feitas a respeito desse mesmo evento foram diferentes. A primeira pode ter interpretado a prova como um enorme problema ou ter a crença que não é bem sucedida ou inteligente o suficiente. Enquanto a que encarou a prova tranquilamente pode ter considerado que essa seria uma boa oportunidade ou algo simples e rotineiro.

Existem aqueles estímulos ansiogênicos mais comuns que afetam uma grande parcela da população, como “falar em publico” ou “lidar com autoridades”. Mas, de maneira geral, tudo o que é visto como possibilidade de prejuízo, fracasso, vergonha, ou até mesmo morte, pode ser causador de ansiedade. Quando a interpretação feita é de ameaça, é produzida uma substância chamada noradrenalina, que excita o cérebro e o corpo dando reações de estimulação. A principal característica do estado ansioso é a excitação do pensamento, como uma tentativa de elaborar e calcular uma maneira de sair da situação de perigo.

As causas e a intensidade da excitação ansiosa podem variar e constituir o quadro vivido pela pessoa, que pode sentir-se ansiosa a maior parte do tempo sem razão aparente ou pode ter ansiedade em situações pontuais, mas de maneira tão intensa que a imobiliza. A sensação de ansiedade pode ser tão desconfortável que as pessoas deixam de fazer coisas simples e cotidianas como uma tentativa de evitá-la.

Os sintomas da ansiedade

Os Transtornos da ansiedade têm sintomas muito mais intensos do que a ansiedade normal do dia a dia. Para falar sobre os sintomas vamos propor uma divisão de caráter didático. A ansiedade e o medo passam a ser reconhecidos como patológicos quando são exagerados, desproporcionais ao estímulo e comprometem a qualidade de vida e o conforto emocional.

Ansiedade normal

Sintomas físicos:

  • Boca seca ou dificuldade de engolir;
  • Dores de cabeça, enjoos, vômitos e vertigem;
  • Respiração acelerada, falta de ar e transpiração;
  • Batimentos cardíacos acelerados ou irregulares;
  • Dor ou aperto no peito;
  • Dificuldade de concentração e fadiga;
  • Tensão muscular, tremores, roer unhas, etc;
  • Alteração no hábito intestinal; Dor de barriga;
  • Perturbação no sono.
  • Falar muito rápido ou esquecimentos;

Sintomas emocionais:

  • Agitação (balançando os pernas e os braços);
  • Nervosismo e irritabilidade;
  • Dificuldade de concentração e em relaxar;
  • Preocupação;
  • Medo; Sensação de que algo ruim vai acontecer;
  • Descontrole sobre os próprios pensamentos;
Ansiedade patológica
  • Qualquer um dos sintomas citados ao lado, de maneira persistente e causando comprometimento à vida do indivíduo.
  • Preocupações, tensões ou medos exagerados (a pessoa não consegue relaxar).
  • Sensação contínua de que um desastre ou algo muito ruim vai acontecer.
  • Preocupações exageradas com saúde, dinheiro, família ou trabalho.
  • Medo extremo de algum objeto ou situação em particular.
  • Medo exagerado de ser humilhado publicamente.
  • Falta de controle sobre pensamentos, imagens ou atitudes, que se repetem independentemente da vontade.
  • Pavor depois de uma situação muito difícil.

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Tratamentos
  • Medicamentos (sempre com acompanhamento médico)
  • Psicoterapia com psicólogo
  • Tratamentos alternativos (Leia mais: Homeopatia, Meditação, Ioga…)
  • Combinação dos tratamentos

Não vou entrar em detalhes agora, mas podemos citar dois tipos de medicação que podem ajudar a controlar e diminuir a ansiedade, temos os ansiolíticos e os antidepressivos. Lembrando que qualquer medicação pode causar efeitos colaterais no corpo e até dependência, por isso devem ser prescritos por um psiquiatra e diante de uma avaliação médica adequada.

A medicação pode e deve ser combinada com a Psicoterapia, onde as causas ou o problema original para essa ansiedade serão trabalhados. Leia mais sobre o tema aqui.

Para controlar a ansiedade também devemos nos atentar para as menores ações do nosso dia a dia. Por exemplo, buscar uma alimentação mais saudável, incluir atividades físicas e/ou terapêuticas (como a ioga, meditação, chás naturais, massagens…) e até mesmo dedicar-se à atividades manuais, que distraem e alteram o nosso foco. Mudar a rotina identificada como ansiogênica pode ser uma boa alternativa.

Veja outras sugestões para que possa reavaliar sua rotina:
  • Identifique o que causa ansiedade ou tristeza e mude sua atitude em relação ao problema. Busque informações sobre o que está causando a ansiedade.
  • Respirar profunda e calmamente. Durante a crise de ansiedade, focar a atenção na sua respiração, desligando-se lentamente dos problemas causadores da ansiedade. A prática da meditação é altamente recomendada nesses casos.
  • Manter pensamentos positivos. Às vezes, evitar situações que remetam a pensamentos negativos ou autodestrutivos, ou até mesmo pessoas negativas, é um bom começo.
  • Respeitar suas limitações e, quando for preciso, peça ajuda, inclusive ajuda terapêutica.
Lembramos que nenhuma informação contida nesse artigo substitui a avaliação presencial de um profissional capacitado, Psicólogo ou Psiquiatra.

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Referências Bibliográficas:
1 - CASTILLO, Ana Regina. GL et al. Transtornos de ansiedade. Rev. Bras. Psiquiatr. , São Paulo, v. 22, supl. 2, p. 20-23, dezembro de 2000. 

2 - ROOSEVELT, M. Cassorla S. Abordagem Psicodinâmica do Paciente Ansioso. In: Eizirik, C. L. et.al. Psicoterapia de Orientação Analítica: Fundamentos Teóricos e Clínicos. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2005.

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