O amor e as relações amorosas sempre foram temas centrais em livros, filmes, novelas e conversas de bar. Falar sobre isso é quase inevitável. Afinal, estamos sempre as voltas com perguntas como: Existe um amor ideal? Uma famosa alma gêmea? O que é ser um casal, uma “cara metade” do outro? É a semelhança que sustenta o amor?

A provocação de Nietzsche abaixo nos convida a refletir sobre o que realmente sustenta uma relação. Se tudo no casamento é transitório, inclusive gostos e ideias, o que permanece são os laços construídos no diálogo e na troca genuína. E só existe diálogo e troca diante do diferente.

[su_quote cite=”Nietzsche“] Ao pensar sobre a possibilidade do casamento, cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: “Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?”, pois tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações  que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar. [/su_quote]

Ser um casal ou ser um indivíduo

Quando buscamos um amor acreditando na ilusão da “cara metade”, acabamos esperando que o outro nos complete com o que supostamente nos falta. Mas e se, em vez disso, enxergássemos o outro como um indivíduo inteiro e diferente? Isso permitiria respeitar sua individualidade e nos libertaria da idealização, tornando o amor mais real e humano.

Não há ninguém no mundo cuja missão seja apenas atender às nossas expectativas. Viveremos melhor ao entender que cada um oferece aquilo que tem e pode dar. O segredo está no compartilhamento: momentos de troca, construção de bem estar mútuo e respeito pelas diferenças. O ideal mesmo seria amadurecermos a ideia de que duas unidades convivem melhor do que duas metades.

Ninguém é responsável pela sua felicidade

Colocar no outro a responsabilidade pela nossa felicidade é uma armadilha. Isso nos limita e nos coloca em uma posição passiva, como se a nossa própria história estivesse nas mãos (e nas escolhas) de outra pessoa. Somos responsáveis ​​por nós mesmos. O outro só tem o poder que permitimos que ele tenha.

A integração dos sentimentos de apego, cuidado, romantismo, amizade e sexualidade pode dar uma falsa impressão de completude – como se o amor ideal de fato existisse. Quando, na realidade, nenhum casal é perfeitamente compatível. O que sustenta um relacionamento é a capacidade de negociação e adaptação.

Para moldar um mundo em comum, os parceiros precisam equilibrar interesses individuais e coletivos, ajustando-se constantemente. Criar uma identidade de casal exige revisão de regras, alinhamento de expectativas e, principalmente, um esforço diário para construir e manter esse vínculo.

O amor não é apenas um sentimento: é um verbo, uma ação contínua. Para que um relacionamento sobreviva, ele precisa ser cultivado todos os dias.

Conclusão

No fim das contas, ser um casal em um relacionamento saudável não se baseia na busca por alguém que nos completa, mas sim na construção de um vínculo onde duas pessoas inteiras se escolhem e crescem juntas. O amor não é um destino final, e sim um processo contínuo de troca, aprendizado e cuidado mútuo. Ao abandonarmos a ideia de metades e passarmos a enxergar a relação como uma parceria entre indivíduos independentes, abrimos espaço para um amor mais real, sustentável e genuíno.

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Autor(a)

Andréia Rodrigues Leite

Psicóloga Clínica - Psicoterapia adolescente e adulto, Psicoterapia individual ou casal. Pesquisadora USP, formada em Tanatologia (lutos e perdas). Acompanhamento terapêutico individual ou em grupo para pessoas com Medo de Dirigir.

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