Por que Precisamos Falar sobre Prevenção ao Suicídio?

10 de Setembro é celebrado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Por isso, ao longo do mês, diferentes atividades marcarão a data nos convidando a pensar sobre a importância de preservar a vida e de estar atento aos sentimentos de quem está por perto.

A ideia de “prevenção” aqui colocada, pode ser compreendida como a redução das chances de efetivação do ato, além do reconhecimento e acolhimento a uma pessoa em sofrimento e com ideação suicida. Para isso, antes de mais nada, precisamos quebrar um tabu: vamos falar sobre PREVENÇÃO ao Suicídio! E, por mais desconfortáveis que as informações a seguir lhe pareçam, fazer com que elas circulem pode ajudar alguém a identificar e evitar que quem se ama venha a se machucar ou tentar contra a própria vida.

A dimensão do problema: dados sobre suicídio no Brasil e no mundo

O Suicídio é uma questão de saúde pública, digo isso por que ele ganha impulso a cada ano, tanto em termos numéricos, como de impacto. Estes são alguns dados da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde do Brasil para compreendermos a dimensão do problema:

  • Segundo a OMS, mais de 720 mil morrem por ano por suicídio. 
  • Em 2022, o Brasil contabilizou 16.262 casos (alta de 11,8% sobre 2021) – 8º país no mundo com maior índice.
  • Entre homens, a taxa de mortalidade por suicídio em 2019 foi de 10,7 por 100 mil, enquanto entre mulheres esse valor foi de 2,9.
  • O suicídio é a terceira principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos em todo o mundo em 2021.
  • E nos últimos 45 anos, a mortalidade global por suicídio vem migrando em participação percentual do grupo dos mais idosos para o de indivíduos mais jovens (15 a 45 anos). E ainda, nesses indivíduos, o suicídio é a sexta causa de incapacitação.

Embora pouco se fale a respeito, o número de casos aumentou significativamente em povos indígenas, especialmente entre os jovens. Vamos tentar esclarecer alguns pontos, como causas e os principais fatores de risco.

Quem está em risco de suicídio? Fatores de risco

Antes de tudo, podemos dizer que não existe uma causa ou razão única para o comportamento suicida, ele é resultado de uma complexa interação de fatores (biológicos, genéticos, psicológicos, sociais, culturais e ambientais). Não é tão simples explicar o porquê de algumas pessoas decidirem pôr fim em suas vidas, enquanto outras em situação similares não o fazem. Contudo, existem fatores que podemos procurar na história de vida e no comportamento que podem indicar se essa pessoa apresenta maior risco de cometer uma tentativa suicida, especialmente quando apresenta mais de um deles combinados.

Geralmente, o suicídio parece estar relacionado a problemas de saúde mental, ao abuso de drogas lícitas e ilícitas. Pode existir, também, ligação com doenças físicas crônicas ou doenças terminais. Contudo, é importante levar em consideração fatores como histórico de suicídio na família, problemas pessoais e eventos estressantes (Instabilidade financeira; Questões familiares; Separações; Vivenciar conflitos, desastres, violência, abuso ou perda significativa; Situações de bullying, etc.), pois muitos suicídios acontecem impulsivamente em momentos de crise, com colapso na capacidade de lidar com estressores e sem rede de apoio.

Vulneráveis

 Além disso, as taxas de suicídio também são altas entre os grupos vulneráveis ​​que sofrem discriminação, como refugiados e migrantes; Pessoas indígenas; lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, intersexuais (LGBTQIAP+); e prisioneiros. 

E, diante de todos esses fatores citados acima, deve-se manter um olhar mais sensível às mudanças de comportamento, especialmente se já houve tentativas de suicídio prévias. De longe, o fator de risco mais forte para o suicídio é uma tentativa de suicídio anterior. Fique atento à:

  • Mudanças no comportamento, como irritabilidade, pessimismo, humor deprimido, apatia, etc.;
  • Sentimentos de ódio voltados à si mesmo, de culpa, desvalor, vergonha, auto recriminações, etc.;
  • Sentimentos persistentes de solidão, impotência, desesperança; Sensação de isolamento;
  • Menções repetidas sobre morte ou suicídio;

“Quem quer se matar não avisa”

Opa! Não é bem assim, pois pelo menos dois terços das pessoas que tentam ou que se matam, já haviam comunicado de alguma maneira seus pensamentos e intenções suicidas. Frequentemente, elas dão sinais e fazem comentários sobre “querer morrer” ou ter um “sentimento de não valer pra nada”. Mas, o principal problema é que muitos ignoram e banalizam esses indícios e tratam as pessoas com preconceito e julgamento: “Frescura” “Bobeira” “É um fraco“, etc. Esses pedidos de ajuda não podem ser ignorados.

  • Eu preferia estar morto”.
  • “Eu não aguento mais”.
  • “Eu sou um perdedor e um peso pros outros”.
  • “Os outros vão ser mais felizes sem mim”.

Fique atento às frases de alerta, pois nelas estão escondidos sentimentos de pessoas que podem estar em grande sofrimento e com ideação suicida.

O que fazer ao identificar sinais de risco?

  • Ouvir, mostrar empatia e ficar calmo. Ser afetuoso e dar apoio.
  • Levar a situação a sério e verificar o grau de risco. Se o risco for alto, permanecer ao lado da pessoa.
  • Identificar outras formas de apoio emocional em situações de emergência, por exemplo, LIGAR PARA o CVV (Centro de Valorização da Vida) – LIGAR 188.
  • Nunca ignorar a situação, fazer o problema parecer trivial ou desafiar a pessoa a continuar em frente.
  • Remover ou ficar atento aos meios pelos quais a pessoa possa se matar.
Cartaz com número do CVV - Centro de Valorização da Vida - 188

SEMPRE buscar um profissional da área da saúde mental capacitado! Busque ajuda!

É importante lembrar que a ideação suicida, embora assustadora, não é uma sentença — é um sintoma de sofrimento intenso, e sofrimento pode ser tratado. Muitas pessoas que atravessaram momentos de profunda desesperança, com o acompanhamento adequado, encontraram formas de lidar com a dor e reconstruíram sua relação com a vida. O tratamento certo, no momento certo, muda esse desfecho. Buscar ajuda não é fraqueza nem exagero: é o primeiro passo para atravessar a crise e voltar a enxergar possibilidades.

Referências:

  • Cartilha: "Prevenção do Suicídio: Manual dirigido a profissionais das equipes de saúde mental" <<Aqui>>
  • Cartilha: "Cartilha municipal de prevenção ao suicídio", FIOCRUZ <<Aqui>>
  • Cartilha "Suicídio. Saber, agir e prevenir" <<Aqui>>
  • Setembro amarelo (site) <<Aqui>>

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Autor(a)

Julia Maria Alves

Psicóloga (UFMG, 2009), especialista em Psicologia Clínica (CRP04/30-828), com especialização em Clínica Psi. na Atualidade (PUC-MG, 2021) e Neuropsicologia (PUC-MG, 2026). Atua com Avaliação Neuropsicológica, Psicoterapia, Orientação Profissional e de Carreira.

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Psicóloga (UFMG, 2009), especialista em Psicologia Clínica (CRP04/30-828), com especialização em Clínica Psi. na Atualidade (PUC-MG, 2021) e Neuropsicologia (PUC-MG, 2026). Atua com Avaliação Neuropsicológica, Psicoterapia, Orientação Profissional e de Carreira.

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