Por que Precisamos Falar sobre Prevenção ao Suicídio?
10 de Setembro é celebrado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Por isso, ao longo do mês, diferentes atividades marcarão a data nos convidando a pensar sobre a importância de preservar a vida e de estar atento aos sentimentos de quem está por perto.
A ideia de “prevenção” aqui colocada, pode ser compreendida como a redução das chances de efetivação do ato, além do reconhecimento e acolhimento a uma pessoa em sofrimento e com ideação suicida. Para isso, antes de mais nada, precisamos quebrar um tabu: vamos falar sobre PREVENÇÃO ao Suicídio! E, por mais desconfortáveis que as informações a seguir lhe pareçam, fazer com que elas circulem pode ajudar alguém a identificar e evitar que quem se ama venha a se machucar ou tentar contra a própria vida.
Índice
1. A dimensão do problema: dados sobre suicídio no Brasil e no mundo
O Suicídio é uma questão de saúde pública. Quando digo isso, é por que ele se tem se tornado mais preocupante a cada ano. Tanto em termos numéricos, quanto de impacto. Estes são alguns dados da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde do Brasil para compreendermos a dimensão do problema:
- O Sistema Único de Saúde (SUS) registrou, ao longo de 2023, 11.502 internações relacionadas a lesões em que houve intenção deliberada de infligir dano a si mesmo, o que dá uma média diária de 31 casos por dia. (Fonte: Agencia Brasil)
- Segundo a OMS, no mundo, mais de 720mil pessoas por ano tiram a própria vida. (Fonte: OMS)
- O Brasil registra historicamente uma média que varia entre 14 mil e 15,5 mil óbitos por ano.
- Entre homens, a taxa de mortalidade por suicídio em 2019 foi de 10,7 por 100 mil, enquanto entre mulheres esse valor foi de 2,9.
- O suicídio é a segunda principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos em todo o mundo.
- (Fonte: Ministério da saúde)
- E nos últimos 45 anos, a mortalidade global por suicídio vem migrando em participação percentual do grupo dos mais idosos para o de indivíduos mais jovens (15 a 45 anos). E ainda, nesses indivíduos, o suicídio é a sexta causa de incapacitação.
Embora pouco se fale a respeito, o número de casos também aumentou significativamente em povos indígenas, especialmente entre os jovens. Vamos tentar esclarecer alguns pontos, como causas e os principais fatores de risco.
2. Quem está em risco de suicídio? Fatores de risco
Antes de tudo, podemos dizer que não existe uma causa ou razão única para o comportamento suicida. Ele é resultado de uma complexa interação de fatores (biológicos, genéticos, psicológicos, sociais, culturais e ambientais). Não é tão simples explicar o porquê de algumas pessoas decidirem pôr fim em suas vidas, enquanto outras em situação similares não o fazem. Contudo, existem fatores que podemos procurar na história de vida e no comportamento que podem indicar se essa pessoa apresenta maior risco de cometer uma tentativa suicida. Especialmente quando apresenta mais de um deles combinados.
Geralmente, o suicídio parece estar relacionado a problemas de saúde mental, ao abuso de drogas lícitas e ilícitas. Pode existir, também, ligação com doenças físicas crônicas ou doenças terminais. Contudo, é importante levar em consideração fatores como histórico de suicídio na família, problemas pessoais e eventos estressantes (Instabilidade financeira; Questões familiares; Separações; Vivenciar conflitos, desastres, violência, abuso ou perda significativa; Situações de bullying, etc.), pois muitos suicídios acontecem impulsivamente em momentos de crise, com colapso na capacidade de lidar com estressores e sem rede de apoio.
Vulneráveis
Além disso, as taxas de suicídio também são altas entre os grupos vulneráveis que sofrem discriminação, como refugiados e migrantes. Podemos cita, pessoas indígenas; lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, intersexuais (LGBTQIAP+) e prisioneiros. E, diante deles, deve-se manter um olhar mais sensível às mudanças de comportamento, especialmente se já houve tentativas de suicídio prévias. De longe, o fator de risco mais forte para o suicídio é uma tentativa de suicídio anterior. Fique atento à:
- Mudanças no comportamento, como irritabilidade, pessimismo, humor deprimido, apatia, etc.;
- Sentimentos de ódio voltados à si mesmo, de culpa, desvalor, vergonha, auto recriminações, etc.;
- Sentimentos persistentes de solidão, impotência, desesperança; Sensação de isolamento;
- Menções repetidas sobre morte ou suicídio;
3. “Quem quer se matar não avisa”
Opa! Não é bem assim, pois pelo menos dois terços das pessoas que tentam ou que se matam, já haviam comunicado de alguma maneira seus pensamentos e intenções suicidas. Frequentemente, elas dão sinais e fazem comentários sobre “querer morrer” ou ter um “sentimento de não valer pra nada”. Mas, o principal problema é que muitos ignoram e banalizam esses indícios e tratam as pessoas com preconceito e julgamento: “Frescura” “Bobeira” “É um fraco“, etc. Esses pedidos de ajuda não podem ser ignorados.
- “Eu preferia estar morto”.
- “Eu não aguento mais”.
- “Eu sou um perdedor e um peso pros outros”.
- “Os outros vão ser mais felizes sem mim”.
Fique atento às frases de alerta, pois nelas estão escondidos sentimentos de pessoas que podem estar em grande sofrimento e com ideação suicida.
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4. O que fazer ao identificar sinais de risco?
- Ouvir, mostrar empatia e ficar calmo. Ser afetuoso e dar apoio.
- Levar a situação a sério e verificar o grau de risco. Se o risco for alto, permanecer ao lado da pessoa.
- Identificar outras formas de apoio emocional em situações de emergência, por exemplo, LIGAR PARA o CVV (Centro de Valorização da Vida) – LIGAR 188.
- Nunca ignorar a situação, fazer o problema parecer trivial ou desafiar a pessoa a continuar em frente.
- Remover ou ficar atento aos meios pelos quais a pessoa possa se matar.

SEMPRE buscar um profissional da área da saúde mental capacitado! Busque ajuda!
É importante lembrar que a ideação suicida, embora assustadora, não é uma sentença. Ele é um sintoma de um sofrimento intenso, mas pode ser tratado. Muitas pessoas que atravessaram momentos de profunda desesperança, com o acompanhamento adequado, encontraram formas de lidar com a dor e reconstruíram sua relação com a vida. O tratamento certo, no momento certo, muda esse desfecho. Buscar ajuda não é fraqueza nem exagero! É o primeiro passo para atravessar a crise e voltar a enxergar possibilidades.
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Comentários





Eu gostaria de saber sobre a psicoterapia, qual valor?
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