Você sabe como lida com o estresse diário? Algumas pessoas conseguem atravessar as pressões do cotidiano com mais leveza: fazem pausas estratégicas, olham para os problemas por ângulos diferentes e buscam apoio quando precisam. Outras pessoas, no entanto, acabam lidando com o estresse de formas que pioram a própria situação.
A boa notícia é que, embora não seja possível eliminar o estresse por completo, é possível aprender a gerenciá-lo. E, claro, evitar boa parte do sofrimento que ele costuma causar.
O que acontece no corpo quando você sente estresse?
O conceito de estresse, tal como usamos hoje, vem dos trabalhos do médico Hans Selye, que descreveu como o corpo reage a qualquer exigência: primeiro em alerta, depois em resistência e, se a exigência persistir, em exaustão. Décadas depois, os pesquisadores Richard Lazarus e Susan Folkman mostraram algo igualmente importante: o estresse não depende só da situação em si, mas de como a avaliamos. Um mesmo evento, uma reunião de trabalho, por exemplo, pode ser lido como ameaça por uma pessoa e como desafio por outra. Essa avaliação é o que dispara, ou não, a resposta de estresse no corpo.
Assim, quando percebemos algo como uma ameaça (física, como um cachorro bravo na rua, ou emocional, como um conflito no trabalho), o corpo ativa essa resposta: o coração acelera, os músculos tensionam, a atenção se estreita. Em situações passageiras, essa reação passa rápido. O problema começa quando ela se repete ou se prolonga.
Tipos de Estressores: Nem todo estresse é igual
Existem diferentes tipos de estressores:
- Agudos: situações de curto prazo, como um prazo de trabalho apertado ou o trânsito do dia a dia. Resolvido o motivo, o corpo volta ao equilíbrio rapidamente.
- Agudos episódicos: quando situações agudas se repetem com frequência. Como uma rotina de prazos apertados toda semana. Não chegam a ser um problema contínuo, mas também não dão tempo de recuperação entre um episódio e outro.
- Crônicos: situações prolongadas, como uma doença, o desemprego ou dificuldades financeiras. Esse tipo de estresse é o mais preocupante: pesquisas em neuroendocrinologia mostram que a exposição prolongada aos hormônios do estresse gera um desgaste cumulativo no corpo, o que os pesquisadores chamam de carga alostática, capaz de enfraquecer o sistema imunológico e afetar a saúde física a longo prazo.
Vale lembrar: nem todo estresse nasce de escolhas pessoais. Desorganização, falta de planejamento e pouco autocuidado realmente pesam, mas fatores externos, como sobrecarga de trabalho ou instabilidade financeira, também têm peso real e nem sempre estão sob nosso controle total.
Reações que parecem alívio, mas pioram o quadro
Certas formas de lidar com o estresse dão a sensação momentânea de alívio, mas, na prática, mantêm o problema vivo. A literatura sobre enfrentamento (coping) chama esse padrão de enfrentamento evitativo — em oposição a estratégias que encaram a causa do estresse de frente. Três formas comuns:
Negação. Ignorar ou minimizar o problema pode parecer uma saída rápida, mas apenas adia o sofrimento. Reconhecer que o estresse existe é o primeiro passo para lidar com ele.
Evitação. Acontece quando trocamos a resolução do problema por uma distração. Aparece de formas diferentes: mergulhar no trabalho para fugir de questões familiares, manter a agenda sempre lotada para não sobrar tempo de refletir, ou recorrer à TV, a jogos e às redes sociais como escape.
Uso de substâncias. Álcool, drogas e até o excesso de cafeína podem parecer um alívio imediato, mas não tratam a causa do estresse — e, com o tempo, esse padrão tende a aumentar o problema e pode levar à dependência.
O caminho mais eficaz
A forma mais eficaz de lidar com o estresse combina três frentes: encarar as causas, buscar suporte de pessoas próximas ou de acompanhamento profissional , e adotar práticas de autocuidado no dia a dia. Não existe fórmula única: o que funciona depende da situação, da história e dos recursos de cada pessoa.
Se o estresse tem tomado conta da sua rotina e você sente que não consegue lidar com ele sozinho, buscar apoio psicológico pode ajudar a entender as causas e construir estratégias mais duradouras.
Lembramos que este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional capacitado.
Créditos
- Selye, H. (1956). The Stress of Life. New York: McGraw-Hill.
- Lazarus, R. S., & Folkman, S. (1984). Stress, Appraisal, and Coping. New York: Springer.
- McEwen, B. S. (1998). Protective and damaging effects of stress mediators. New England Journal of Medicine, 338(3), 171–179.
- Carver, C. S., Scheier, M. F., & Weintraub, J. K. (1989). Assessing coping strategies: A theoretically based approach. Journal of Personality and Social Psychology, 56(2), 267–283.
- Imagem da capa: Site particular
Outros textos dessa coluna:
1 . Estresse pode causar graves danos à saúde
2 . A neuropsicologia explica como Livros de colorir ajudam com o estresse
3 . Como a meditação alivia o estresse?
Outros artigos indicados para você
Comentários








