Hoje tudo é “para ontem”! Em um mundo que exige produtividade o tempo todo, até o lazer vira tarefa. Mas o que acontece com o desejo, a angústia e a singularidade nesse cenário?
O sujeito sufocado pela lógica do desempenho
Basta um clique, um app gerencia sua rotina, metas renovam-se antes mesmo de você respirar. O desempenho incessante invadiu a mente de cada um de nós. Virou senso comum: “Otimize seu dia, gerencie suas emoções, seja seu próprio chefe”. Mas, no meio desse corre-corre, quem é você de verdade?
Medimos cada ação como se fosse uma meta: curtidas, vendas, horas de estudo, passos na esteira. Sem perceber, você se tornou gestor de si mesmo, avaliando cada detalhe da sua vida como um produto a ser otimizado. E aí sobra pouco espaço, ou quase nada, para o que realmente importa: suas dúvidas, suas falhas, SEU desejo. Tudo que não se traduz em desempenho acaba ficando de lado. Até seu tempo livre é transformado em novo espaço de consumo, com cursos rápidos, apps e soluções instantâneas que prometem “corrigir” você, deixando o sujeito real sem vez.
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Veja: para marcar um encontro entre uma turma que, na juventude, era algo espontâneo, hoje deve-se consultar agendas. Quer dizer, até o lazer foi posto nessa lógica. Não existe mais o descanso. O simples fato de ficar deitado olhando para o teto do seu quarto e experimentar elaborar aquilo que, de fato, te faz levantar da cama para valer a pena viver é angustiante.
Aceitamos soluções rápidas porque dão alívio imediato. Seguimos a massa para não chamar atenção ou arriscar o vazio do “e agora? ”. Tememos a lentidão de olhar para dentro, de encarar o mal-estar.
Talvez a saída não esteja em eliminar o vazio, mas em reconhecê-lo como parte da experiência de ser sujeito. Ele angustia, sim – mas é também o que permite que algo singular se produza. Entretanto, é diante dele que você aparece e se destaca de vez da massa, criando algo seu e só SEU.
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