O que significa inteligência emocional?
Vivemos em uma sociedade que valoriza quase exclusivamente a razão. Assim, aprendemos a “fazer o que faz sentido” e a “ser prático“. Mas, quando a razão não dá conta de ser solução, ouvimos o conselho oposto: “siga seu coração”. Ou seja, escolher com a emoção não é certo e a razão é o melhor caminho. Mas, se ela não for suficiente, escolha com a emoção? Confuso né?
Como também acontece nas relações amorosas, aprendemos a buscar racional e conscientemente atrativos físicos, materiais e emocionais em um parceiro. Ao mesmo tempo, especialmente as mulheres, crescem ouvindo que “o amor supera tudo“. Se você passar muito tempo procurando alguém “perfeito no papel”, corre o risco de nunca encontrar essa pessoa. Se deixar só o coração comandar, corre o risco da frustração. Onde fica o equilíbrio?
A neurociência ajuda a resolver essa falsa oposição. A hipótese do marcador somático, do neurocientista António Damásio, mostra que razão e emoção não competem: elas cooperam! Sinais emocionais do corpo orientam decisões racionais e as tornam mais rápidas. Ou seja: a pergunta não é “razão ou emoção”, mas como integrar as duas. É exatamente isso que a inteligência emocional treina.
O que é inteligência emocional, afinal?
A inteligência emocional é a capacidade de perceber, compreender e regular as próprias emoções. Portanto, uma pessoa emocionalmente inteligente reconhece o que sente e escolhe como responder a isso, em vez de suprimir a emoção ou reagir por impulso. Ela também é empaticamente sintonizada: sabe se colocar no lugar do outro e imaginar o que ele sente.
Essa habilidade é uma das mais valiosas que você pode desenvolver, tanto durante um namoro quanto depois de uma rejeição. A seguir, veja quatro razões para investir nela e, ao final, como começar a desenvolvê-la.
1. A inteligência emocional leva a atrações mais saudáveis
Quando seguimos apenas o coração, temos dificuldade em diferenciar ansiedade, desejo, paixão e conexão real. Como resultado, isso pode nos levar a relações pouco saudáveis. Por outro lado, quando desligamos o coração e seguimos só a razão, corremos o risco oposto: namorar alguém “ótimo no papel”, mas incapaz de nos conectarmos emocionalmente. Desse modo, a inteligência emocional permite seguir o coração e, ao mesmo tempo, usar a razão para filtrar exageros e equívocos. O resultado são relacionamentos mais saudáveis e duradouros.
2. Ela ajuda a reagir de forma intencional, não impulsiva
As emoções conduzem tanto os melhores quanto os piores momentos de uma relação. Saber lidar com elas, em vez de deixar que elas conduzam sozinhas, é uma das habilidades mais valiosas para a vida amorosa. Uma primeira estratégia eficaz para isso é a reavaliação cognitiva. Isto é, parar antes de reagir e se perguntar o que a emoção realmente significa e por que ela surgiu.
Em segundo lugar, outra estratégia é a autocompaixão. Este conceito estudado pela psicóloga Kristin Neff, envolve três elementos. Primeiro, tratar-se com a mesma gentileza que trataria um amigo. Segundo, lembrar que sofrer faz parte da experiência humana comum. E, por fim, observar a emoção sem se deixar dominar por ela. Na prática: sente-se em um lugar tranquilo, identifique o que sente e por quê, e diga a si mesmo o que diria a um amigo na mesma situação — “é normal se sentir assim” em vez de “não faz sentido eu estar chateado”. Se a emoção ainda parecer forte demais, dê uma pausa antes de agir: durma, converse com um amigo e reavalie pela manhã.
3. Ela prepara você para lidar com a rejeição
Para ter encontros mais saudáveis é preciso aceitar a possibilidade de rejeição. Pesquisas sobre sensibilidade à rejeição mostram que o medo excessivo de ser rejeitado leva a reações impulsivas, como apagar o contato de alguém só porque não recebeu resposta imediata. Em resumo, essas posturas acabam afastando justamente a pessoa que se queria manter por perto. Logo, reconhecer essa possibilidade com antecedência ajuda a reagir com mais autocompaixão e menos impulsividade.
4. Ela faz de você um parceiro melhor
Em relações mais longas, a inteligência emocional continua essencial. Posto que, ela permite se colocar no lugar do parceiro e entender o que ele sente. Assim, em vez de responder a uma discussão com agressividade, você busca conciliação e entendimento. O parceiro se sente ouvido e validado — e isso fortalece a comunicação entre vocês.
Agora deve estar se perguntando: Como desenvolver inteligência emocional?
Assim como fortalecemos um músculo na academia, também é possível fortalecer a inteligência emocional. Só que o “treino” acontece na psicoterapia, com a reflexão e mudança consciente de atitudes, com o autoconhecimento, na meditação ou em práticas como o yoga. Ela se desenvolve à medida que aprofundamos o autoconhecimento: questionar nossas dores, alegrias e escolhas. Quanto mais você observa, aceita e se familiariza com o que sente, mais se torna capaz de construir relações — e uma vida — mais saudáveis.
Quer desenvolver Inteligência emocional?

Referências bibliográficas
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Traduzido e adaptado de MindBodyGreen
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