Introdução editorial

Este texto propõe uma reflexão sobre como podemos ficar presos à repetição de problemas e sobre a importância de identificar possibilidades de ação. A literatura em psicologia indica que pensamentos repetitivos e negativos, quando persistentes e difíceis de interromper, podem contribuir para o sofrimento psicológico. Também há evidências de que estratégias de enfrentamento voltadas à resolução de problemas, à busca de apoio e à definição de objetivos podem ser úteis em determinadas situações.

É importante, porém, fazer uma distinção: mudar o foco não significa negar o problema, ignorar emoções difíceis ou responsabilizar a pessoa por todas as circunstâncias que vivencia. Nem sempre temos controle sobre o que acontece, e algumas situações exigem apoio, proteção, mudanças institucionais ou acompanhamento especializado.

Assim, a proposta deste texto é incentivar uma mudança de perspectiva: reconhecer o problema, compreender seus efeitos e, quando possível, direcionar parte da atenção para as alternativas, os recursos e os próximos passos disponíveis. Em situações de sofrimento persistente, buscar ajuda profissional é uma atitude de cuidado, não um sinal de fraqueza.

Foco no problema ou na solução?

Uma reflexão sobre mudança e escolhas

Por: Pollyane Zaze

Você já parou para pensar que, às vezes, a gente se sente confortável dentro de uma situação, daquele problema?

É tão comum repetir e contar para quem quiser ouvir sobre o problema que estamos atravessando. Já sabemos essa história de trás para frente, e isso pode nos fazer acreditar ainda mais que o problema é realmente complicado e justifica o nosso momento.

É isso: ele justifica o meu mau humor, a minha falta de energia, a minha falta de dinheiro e o motivo pelo qual não consigo atingir os meus objetivos!

Cada vez que nos colocamos nessa mesma situação, o problema toma conta da nossa vida. Fica difícil enxergar além, olhar “fora da caixa” e encontrar uma solução. O problema passa a me ter: os papéis se invertem e, o pior, eu me sinto paralisado. Quem nunca passou por uma situação dessas? A sensação é de que o tempo está passando e a vida não toma outro rumo.

O foco pode abrir espaço para novas possibilidades

De fato, o tempo vai passar, estejamos agindo ou não. Mas isso não significa que toda mudança dependa apenas da nossa vontade. Algumas situações estão sob nosso controle; outras dependem de circunstâncias externas, de outras pessoas ou de condições sociais e profissionais.

Ainda assim, vale perguntar: o meu foco está ajudando a compreender o problema ou está me mantendo preso a ele?

Perceba que você também pode participar da direção que sua vida toma. Quando mostramos repetidamente à nossa mente que o único caminho possível é o problema, tendemos a prestar mais atenção às dificuldades, às justificativas e aos obstáculos. Esse processo pode tornar mais difícil perceber alternativas.

Porém, quando saímos do piloto automático, da inércia e começamos a buscar uma solução possível, o recado é outro. Quando o nosso foco passa a incluir as possibilidades de ação, podemos perceber recursos que antes não estavam claros. Com isso, nosso estado emocional pode se modificar e favorecer comportamentos mais alinhados com aquilo que desejamos.

Isso não quer dizer que basta pensar positivamente ou simplesmente deixar de pensar no problema. Significa reconhecer a dificuldade e, ao mesmo tempo, procurar identificar o que pode ser feito. Às vezes, a solução será uma ação concreta. Em outras situações, será pedir ajuda, estabelecer um limite, reorganizar as prioridades ou aceitar que determinada mudança exige tempo.

Um passo de cada vez

A partir de agora, agir em busca de uma solução requer trilhar um caminho de aprendizado e transformação de crenças que, até ontem, pareciam certas. Entenda o que você deseja de diferente para a sua vida neste momento e imagine essa possibilidade com o máximo de clareza que conseguir.

Depois, pergunte a si mesmo: qual é o próximo passo possível? A vida é feita de escolhas, mas também de condições e limites. Ainda assim, as escolhas possíveis podem influenciar a forma como construímos o amanhã.

Como você quer que seja o seu amanhã?

Você pode optar por viver da melhor forma possível, sem se definir apenas pelos problemas. Pode buscar soluções, apoio e as diversas possibilidades que a vida oferece — sempre respeitando o seu tempo, a sua realidade e os seus limites.

Mantenha o seu foco nas oportunidades e nas soluções possíveis. Quando o seu “amanhã” chegar, no encontro que você terá consigo mesmo, talvez perceba que não precisou aceitar passivamente o futuro que imaginava estar traçado.

Você pode começar a construir um caminho diferente, um passo de cada vez.

Visite nossas redes:

Autor(a)

Pollyana Zaze

Autora convidada Pollyana Zaze

Inscreva-se na Newsletter

Psicoterapia?

Está buscando atendimento psicológico? Entre em contato com a nossa equipe pelo Whatsapp:

Vou te indicar um texto: