Altruísmo e saúde mental: como ajudar os outros pode contribuir para o bem-estar
Ajudar alguém, compartilhar recursos, oferecer apoio ou participar de uma atividade comunitária pode produzir sentimentos de conexão e significado. Por isso, pesquisadores investigam a relação entre comportamentos pró sociais, felicidade, propósito e saúde mental.
Estudos científicos têm demonstrado uma relação significativa entre altruísmo e felicidade. No entanto, é importante interpretar essa relação com cuidado. Algumas pesquisas associam ações pró sociais a maior bem-estar e menor sofrimento emocional, mas isso não significa que o altruísmo previna ou trate a depressão sozinho.
A princípio, esses estudos indicam que atos altruístas, como doações ou trabalho voluntário, ativam áreas cerebrais associadas ao prazer e bem-estar. Como o córtex pré-frontal (uma das estruturas mais complexas do cérebro, responsável por funções como a tomada de decisões, a memória e o controle de impulsos) e o núcleo accumbens (é uma região do cérebro que está envolvida na motivação, recompensa, aprendizagem e adicção).
Além disso, indivíduos que se envolvem regularmente em atividades altruístas tendem a relatar maior satisfação na vida e menores níveis de depressão. Esses achados sugerem que o altruísmo não apenas beneficia os destinatários das ações, mas também promove saúde mental e emocional de quem pratica.
O que a ciência estuda quando fala em altruísmo?
No uso cotidiano, chamamos de altruísmo atitudes como ajudar quem precisa, compartilhar, doar, agradecer e participar de ações comunitárias. Na pesquisa psicológica, muitos desses comportamentos aparecem sob o termo comportamento pró social.
Essas ações podem oferecer oportunidades de conexão, cooperação, competência e sentido de vida. Ainda assim, seus efeitos dependem do contexto. Ajudar alguém por escolha e dentro dos próprios limites é diferente de sentir-se obrigado a cuidar de todos, ignorar as próprias necessidades ou aceitar relações de exploração.
Já falamos sobre como ajudar os outros e praticar a generosidade são, segundo a ciência, caminhos para uma vida mais feliz. Agora, um novo estudo aponta que adolescentes envolvidos em ações altruístas têm menos chances de desenvolver depressão no início da vida adulta.
ajudar alguém pode nos fazer bem?
Um estudo longitudinal acompanhou adolescentes por aproximadamente um ano e examinou como o cérebro respondia a diferentes tipos de recompensa. Os pesquisadores observaram respostas a decisões associadas ao prazer imediato e a decisões relacionadas a significado, como ajudar familiares ou expressar gratidão.[1]
Os resultados indicaram que maior ativação do estriado ventral (região do cérebro ligada ao sistema de recompensa, ao prazer e ao controle das emoções) durante decisões eudaimônicas (focadas no crescimento pessoal, na busca de propósito, no desenvolvimento do potencial humano e na autorrealização). E esteve associada à redução posterior de sintomas depressivos. Por outro lado, maior resposta a recompensas hedônicas (prazer e à satisfação dos sentidos) e decisões de risco esteve associada ao aumento de sintomas.
Atividades pró sociais podem favorecer o sentimento de pertencimento, a percepção de competência e a experiência de que a vida tem significado. Além disso, elas podem fortalecer vínculos e ampliar oportunidades de contato social. Mesmo assim, os efeitos não são iguais para todos.
Referências bibliográficas:
- [1] Telzer, E. H.; Fuligni, A. J.; Lieberman, M. D.; Galván, A. Neural sensitivity to eudaimonic and hedonic rewards differentially predict adolescent depressive symptoms over time. Proceedings of the National Academy of Sciences, 2014, 111(18), 6600–6605. Artigo completo.
- [2] Ferraz, R. B.; Tavares, H.; Zilberman, M. L. Felicidade: uma revisão. Archives of Clinical Psychiatry, 2007, 34(5). Verificar o registro bibliográfico e inserir o link correto da publicação original.
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