Estudos publicados em periódicos científicos mostram que a depressão vai muito além da mente — e que o tratamento reverte esses efeitos
O que mais ouvimos quando o assunto é depressão são julgamentos. “Isso é frescura” ou “é coisa da sua cabeça”, “coisa de gente fraca”. Essas frases não passam de opinião e equivocada. Na realidade, a depressão é uma doença séria e, em casos mais graves, pode ser incapacitante. Pode comprometer não apenas a vida psíquica da pessoa, mas também diversos aspectos neurofisiológicos do corpo.
Leia mais no texto abaixo sobre um estudo de um dos reflexos da depressão no corpo:
O que a ciência diz sobre os efeitos da depressão no corpo
Uma meta-análise publicada no Journal of Clinical Psychiatry, um dos periódicos mais respeitados da psiquiatria, reforça essa ideia: a depressão vai além de um transtorno mental e pode ser compreendida como uma condição que afeta o corpo como um todo, comprometendo inclusive a capacidade do organismo de neutralizar substâncias tóxicas.
Entender a depressão dessa forma ajuda a explicar por que pessoas com o transtorno apresentam maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares e certos tipos de câncer, além de maior probabilidade de morte prematura. A boa notícia é que esses riscos podem ser reduzidos com os tratamentos habituais para depressão: psicoterapia e, quando indicado, medicação.
Os pesquisadores chegaram a essas conclusões ao reunir os resultados de 29 estudos anteriores, que investigaram como a depressão afeta o corpo de 3.961 pessoas. Os dados mostraram, de forma consistente, uma associação entre depressão e estresse oxidativo — um desequilíbrio bioquímico que reduz a capacidade do organismo de eliminar substâncias tóxicas e está ligado a processos de envelhecimento celular e inflamação.
O achado mais animador, porém, é outro: após o tratamento bem-sucedido, os marcadores de estresse oxidativo tendem a se normalizar com relativa rapidez. Em outras palavras, o corpo de quem superou um episódio depressivo torna-se praticamente indistinguível, nesses marcadores biológicos, do corpo de uma pessoa que nunca teve depressão.
O que isso significa na prática?
Esses achados não substituem uma avaliação clínica individual — cada pessoa responde de um jeito ao tratamento, e a relação entre estresse oxidativo e depressão ainda é estudada quanto aos seus mecanismos exatos. Mas o resultado é claro quanto a um ponto: depressão não é fraqueza, não é “coisa da cabeça” e não passa com força de vontade. É uma condição médica real, com repercussões mensuráveis no corpo, e que responde a tratamento.
Se você reconhece esses sinais em si ou em alguém próximo, buscar acompanhamento psicológico ou psiquiátrico é o caminho seguro — e reversível — para cuidar da saúde mental e física ao mesmo tempo.
Referência científica
Jiménez-Fernández, S., Gurpegui, M., Díaz-Atienza, F., Pérez-Costillas, L., Gerstenberg, M., & Correll, C. U. (2015). Oxidative stress and antioxidant parameters in patients with major depressive disorder compared to healthy controls before and after antidepressant treatment: results from a meta-analysis. Journal of Clinical Psychiatry, 76(12), 1658–1667.
- Você pode ler o estudo completo que está publicado em “The Journal of Clinical Psychiatry”.
Outros artigos indicados para você
Comentários









Sofro com isso precisava de uma internação urgente mas.não consigo sem conta que sou sozinha no mundo sem ninguém. …é já até tenho desejo de suicide é orrivel …me ajudem.Sofro com isso precisava de uma internação urgente mas.não consigo sem conta que sou sozinha no mundo sem ninguém. …é já até tenho desejo de suicidio é orrivel …me ajudem.
Eliane, é preciso buscar ajuda, não lide com isso sozinha. Entre em contato conosco inbox ou por nossos telefones/ e-mails para que possamos conversar melhor.