No mês de setembro, é celebrado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Além disso, esse período é marcado pela campanha do Setembro Amarelo, voltada para a conscientização sobre a prevenção do suicídio. O objetivo é alertar a população sobre a realidade do suicídio no Brasil e no mundo, além de divulgar formas de reconhecimento e prevenção.

Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que as principais causas do suicídio incluem a depressão e o abuso de álcool e outras drogas. Apesar da gravidade desses temas, ainda há muito tabu e desinformação em torno deles. Muitas vezes, o suicídio é visto como “coisa de gente fraca”, enquanto a depressão é rotulada como “bobeira de gente fresca”. Esses estigmas violentos dificultam a busca por ajuda e o acesso a informações essenciais para enfrentar esses desafios. Se “o conhecimento liberta” , entender o que nos acomete é o primeiro passo para buscar apoio e enfrentar o sofrimento.

No texto a seguir, Williams compartilha sua experiência com a depressão para ajudar na identificação de sintomas. A proposta é que, ao compreender melhor a doença, seja possível enfrentá-la com mais recursos e suporte. Acrescento também este vídeo “Cachorro preto” que é uma explicação clara sobre a vida com depressão.

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LIDANDO COM OS SINTOMAS DA DEPRESSÃO:
UM QUADRO DE MAPEAMENTO

O que te a Depressão te faz sentir?

A maioria das pessoas responde a essa pergunta tentando encontrar palavras para captar a natureza esmagadora da doença: “Me sinto sob uma nuvem escura”, “Parece um enorme peso ou uma sensação de afogamento” ou “Estou vivendo em uma névoa”. Usam de imagens poderosas para compreender a totalidade da experiência.

A Depressão faz parecer que você não pode fazer nada a respeito, faz com que não queira ver ninguém e mal consegue arrastar-se pelo dia de trabalho. Ela é uma grande força que te faz sentir impotente para mudar. Parece impossível, pois sente-se desamparado e não sabe o que fazer. A depressão nos faz sentir impotente, mas, acredite, ela não é uma força invencível.

Durante meus piores episódios, me senti exatamente assim e durante anos não poderia imaginar qualquer outra coisa. Isso começou a mudar, no entanto, quando eu aprendi mais sobre o escopo completo da doença. Havia uma série de sintomas que eu nunca tinha sequer ligado à depressão. E também havia formas de agrupá-los para que eu pudesse ver como eles se reforçaram mutuamente.

Este não era um exercício intelectual. Eu tinha vivido com a decepção de uma série de tratamentos ineficazes por um longo tempo e sabia que tinha que fazer mais em meu próprio benefício. À medida que aprendia mais, a depressão passou a ser menos sentida como uma força esmagadora e mais como um problema complicado que eu poderia fazer algo a respeito.

Um quadro de mapeamento dos sintomas

A depressão é uma combinação de várias condições e existem formas eficazes para lidar com cada uma delas. Serão necessárias várias tentativas e erros para encontrar os melhores tratamentos. É útil usar um método de mapeamento dos sintomas para compreender o que te acontece.

  1. Comece mapeando os sintomas da depressão e as dimensões da vida que eles distorcem.
  2. Acompanhe os sintomas que mais perturbam a sua vida e os impactos específicos que eles têm.
  3. Escolha os tratamentos e mudanças de estilo de vida que incidem sobre esses problemas.

Depois de ter este mapa em mente, o desafio a seguir está em trabalhar com ele todos os dias, apesar dos contratempos. Nada disto é fácil ou segue uma lógica simples, mas ajuda a ter uma orientação sobre o que fazer. À medida que você vivenciar alguns episódios ou crises, pode perder de vista o quadro geral, mas é algo para voltar a trabalhar quando você sair desses momentos obscuros.

O diagnóstico pelos sintomas da depressão

Há um monte de explicações e paradigmas sobre os sintomas de depressão, mas podemos agrupá-los de acordo com a perturbação que causam nos processos saudáveis de seu corpo: pensamento, sentimento, comportamento e relacionamentos. Um agrupamento deste tipo ajuda a formar de imagem de como sua depressão é. Mas, você não pode parar por aí, também precisa saber como os sintomas interagem e se reforçam mutuamente, mantendo a doença viva ao longo do tempo. Esse é o processo dinâmico da depressão.

Para iniciar com as listas, a mais conhecida abrange os nove critérios para a identificação de um episódio de depressão. Estes sintomas são baseados na prática clínica como os mais confiáveis para diferenciar depressão de outras condições. Eles não são os únicos, mas eles compreendem os indicadores cruciais para um diagnóstico formal.

Não vou entrar em detalhes sobre o diagnóstico de diferentes tipos de depressão – que levariam a vários posts. O agrupamento dos sintomas está dividido em duas listas. O primeiro grupo inclui as duas características definidoras de depressão. Um diagnóstico requer que você tenha um ou o outro.

  1. Humor deprimido a maior parte do tempo ou
  2. Falta de interesse, prazer ou emoção para qualquer coisa

Na segunda lista de sete, requer que você tenha, pelo menos, cinco deles:

  1. Mudanças significativas no peso ou no apetite
  2. Distúrbios do sono quase todos os dias
  3. Agitação física ou desaceleração
  4. Fadiga ou perda de energia
  5. Sentimentos de depreciação, inutilidade e culpa excessiva ou indevida
  6. Capacidade diminuída para pensar, concentrar ou tomar decisões
  7. Pensamentos recorrentes de morte, suicídio ou planos ou tentativas de cometer suicídio

Este conjunto de critérios sobre a depressão pode ser facilmente encontrado em todos os sites de informação em saúde mental, juntamente com testes de rastreio que usam esses critérios. Mas a lista é demasiada curta para capturar o escopo completo da doença. Há muitos mais sintomas que podem ocorrer.

Compreendendo o quadro geral

Eu coloquei uma lista mais extensa aqui, mas você ainda pode achar que ela não captura tudo que você está vivendo. Percebo que muitos destes sintomas não definem depressão exclusivamente, uma vez que também podem indicar uma condição diferente. No entanto, todos eles podem e muitas vezes acompanham a depressão.

A lista pode ser tão útil pra você quanto foi para mim para ligar todos estes sintomas à doença. Pode ser reconfortante saber que um problema que você pensou que era parte de quem você era, acaba por ser um sintoma tratável. Mas, há uma desvantagem para longas listas de sintomas. Se você só contá-los um por um, pode tornar-se mais convencido do que nunca de que a depressão é demasiado grande e forte para lidar. Por isso que é importante ir além de uma lista. Muitos sintomas estão intimamente relacionados e podemos agir em conjunto, intensificando impacto. Por isso ajuda agrupá-los para compreender. Muitos especialistas fazem isso de acordo com os seus efeitos sobre as dimensões básicas da vida: o que fazem para o seu corpo, seu pensamento, sentimentos, comportamentos e relacionamentos.

Quadro de sintomas

CORPO PENSAMENTOS HUMOR E SENTIMENTOS
Distúrbios de sono: Muito sono ou insônia
Ganho ou perda significativa de peso
Fadiga ou perda de energia
Agitação física ou o abrandamento do movimento e de expressão
Dores inexplicáveis
Adoecimento constante
Diminuída capacidade de pensar, concentrar ou tomar decisões
Ruminação mental, pensamentos obsessivos
Pensamentos recorrentes sobre morte, suicídio ou acidentes para si ou outros
Memória prejudicada
Pensamento negativo
Humor deprimido
Falta de interesse ou prazer em nada
Desesperança
Irritabilidade e raiva
Sensação de impotência
Vontade de desistir de tudo
Deixa muitas atividades incompletas
Ansiedade
Sentimento de ser inútil ou culpado por tudo
Tudo de errado ou ruim acontece com você
COMPORTAMENTOS RELACIONAMENTOS  
Comportamento autodestrutivo
Inatividade
Falta de motivação
Choro sem motivo aparente
Explosões de raiva
Tentativas de suicídio
Abuso de substâncias
Isolamento social
Perda de empatia
Falta de vontade para se comunicar
Retirada emocional
Ansiedade social
 

Você pode dividir os sintomas de forma diferente, mas dessa forma pode dar-lhe um ponto de partida para fazer escolhas sobre o tratamento. Fazer uma lista de todos os sintomas que você vivencia mostra o quão difundido a doença está, mas você provavelmente não experimenta todos os sintomas ao mesmo tempo ou sempre com a mesma intensidade. É importante controlá-los ao longo do tempo e olhar também para o que mais está acontecendo em sua vida. Esta é uma maneira de ter uma noção dos padrões gerais que sustentam a sua depressão.

Essa abordagem foi útil para você? Te ajudou a ter um papel mais ativo no seu tratamento?

Texto original: Mentalhelp.net

Apenas lembramos que este texto é apenas informativo e não substitui o diagnóstico feito por um profissional especializado.

Autor(a)

Equipe Dialogo Psi

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